Estados Unidos negam ter ocultado mortes de civis no Iraque

Documentos vazados pelo Wikileaks sugerem mais baixas civis do que o oficial e casos de tortura

Reuters,

25 de outubro de 2010 | 22h38

WASHINGTON- Os militares dos Estados Unidos negaram nesta segunda-feira, 25, que tenham ocultado mortes de civis no Iraque ou ignorado abusos cometidos por forças iraquianas contra seus prisioneiros, como sugerem documentos recém-divulgados pelo site WikiLeaks.

 

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Quase 400 mil documentos até então secretos foram revelados na sexta-feira pelo site, o maior vazamento desse tipo na história militar norte-americana. O WikiLeaks disse que os documentos detalham as mortes de 15 mil civis iraquianos além da cifra que os militares dos EUA informaram oficialmente.

 

O general George Casey, chefe do Estado-Maior dos EUA e ex-comandante das tropas norte-americanas no Iraque de 2004 a 2007, disse que as forças americanas visitavam necrotérios para contar cadáveres. "Não me lembro de que fossem minimizadas baixas civis", afirmou ele a jornalistas.

 

O presidente Barack Obama, que foi contra a invasão do Iraque promovida por seu antecessor, George W. Bush, anunciou em agosto o fim da missão de combate dos EUA no Iraque, e previu que até o final de 2011 todos os 48 mil militares norte-americanos restantes sejam retirados do país.

 

O coronel Dave Lapan, porta-voz do Pentágono, disse que os militares nunca afirmaram ter cifras exatas sobre civis mortos no Iraque. Ele lembrou que estimativas feitas por organizações privadas também apresentavam variações.

 

Lapan argumentou que o WikiLeaks e o Pentágono usam os mesmos bancos de dados para coletar cifras sobre as mortes de civis, e por isso duvidou que o grupo tenha chegado a alguma nova descoberta.

 

Seja como for, ao longo da guerra os militares dos EUA em geral apresentam estimativas sobre vítimas inferiores às informadas por hospitais e por policiais iraquianos.

 

Alguns documentos divulgados na sexta-feira contêm relatos de abusos de prisioneiros por forças iraquianas, e indicações de que os EUA não investigaram esses incidentes.

 

Mas Casey negou que os EUA tenham sistematicamente ignorado casos de torturas e abusos. "Não é o caso. Nossa política sempre foi de que, onde soldados norte-americanos encontrassem abusos a prisioneiros, (deveriam) impedi-los e então relatá-los imediatamente à cadeia de comando dos EUA e à cadeia de comando iraquiana."

 

As autoridades iraquianas prometeram investigar as acusações de abusos, que podem constranger o governo do primeiro-ministro Nuri al Maliki, que atualmente busca apoio para um segundo mandato.

 

Em julho, o WikiLeaks havia revelado outros 70 mil documentos secretos relativos à guerra do Afeganistão.

 

Os EUA estão investigando a origem dos documentos divulgados, e as suspeitas recaem sobre Bradley Manning, ex-analista de inteligência do Exército no Iraque.

 

Ele está detido e também é acusado de ter divulgado um vídeo de 2007 que mostrava um bombardeio de helicóptero que matou 12 pessoas no Iraque, inclusive dois jornalistas da Reuters.

 

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