Estados Unidos temem vazamento de mais documentos sigilosos

Departamento de Estado entrou em contato com o Wikileaks para tentar impedir futuras publicações

DAVID ALEXANDER, REUTERS

30 de julho de 2010 | 20h21

Autoridades dos Estados Unidos temem novos documentos secretos que venham a ser revelados pelo WikiLeaks, e entraram em contato com o site, sem sucesso, para tentar impedir o vazamento, disse o Departamento de Estado na sexta-feira, 30.   

 

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O grupo divulgou no domingo mais de 90 mil documentos abrangendo um período de seis anos da guerra dos EUA no Afeganistão. O grupo supostamente possui dezenas de milhares de comunicados diplomáticos que teriam sido entregues ao WikiLeaks por um analista de inteligência do Exército, segundo relatos da imprensa.

"Se temos preocupação com o que pode estar por aí? Sim, temos", disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado, acrescentando que as autoridades não listaram especificamente quais documentos podem ter sido obtidos pela organização.

Ele disse que o Departamento de Estado não poderia nem mesmo confirmar os rumores de que o WikiLeaks possui muitos comunicados diplomáticos, mas a presença desse tipo de documento no lote do domingo sugere que outras mensagens diplomáticas podem ter sido incluídas no pacote entregue ao WikiLeaks, segundo Crowley.

"Quando fornecemos nossas análises de situações em países-chave como o Afeganistão e o Paquistão, nós os distribuímos para outras agências, inclusive os endereços militares", disse o porta-voz.  "Então há o potencial de que documentos do Departamento de Estado tenham sido comprometidos? Sim."

Tanto Crowley quanto o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, fizeram um apelo ao WikiLeaks e ao seu fundador, Julian Assange, para não divulgarem novos documentos sigilosos do governo dos EUA.

Mas Gibbs, em entrevista à NBC, admitiu que "não podemos fazer nada senão implorar a quem tem esses documentos sigilosos altamente secretos que não os poste mais."  "Acho importante que não se façam mais danos à nossa segurança nacional", acrescentou.

Crowley disse que o governo não conseguiu estabelecer uma linha de comunicação com o WikiLeaks. "Passamos mensagens a eles (mas) não estou ciente de qualquer diálogo direto", afirmou.

Os dois porta-vozes disseram que os documentos podem expor métodos de coleta de inteligência dos EUA e ameaçar pessoas que tenham colaborado com os norte-americanos.

"Vocês têm porta-vozes do Taleban na região hoje dizendo que estão vasculhando esses documentos para encontrar pessoas que estejam cooperando com os norte-americanos e com as forças internacionais. Eles estão procurando esses nomes. Eles disseram que sabem como punir essa gente", disse Gibbs.

Segundo Crowley, "por trás desses documentos está um sistema muito importante de inteligência que é vital para a nossa segurança nacional, e estamos preocupados de que (...) isso cause danos à nossa segurança nacional", afirmou Crowley.

(Reportagem adicional de Phil Stewart, Susan Cornwell e Deborah Charles)

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