EUA acusam Irã de armar Taleban; Afeganistão nega

Americanos teriam 'provas incontestáveis' de que governo iraniano abastece o grupo

Agências internacionais

14 Junho 2007 | 07h45

O regime iraniano pode estar envolvido com o tráfico de armas entre o país e o vizinho Afeganistão, onde elas acabam nas mãos do Taleban e outros rebeldes, informa nesta quinta-feira, 14, o jornal The New York Times. O ministro de Defesa afegão, Abdul Rahim Wardak, negou as acusações do governo americano. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou na quarta-feira numa base militar americana na Alemanha que "está bem claro que há um grande fluxo de armas" do Irã aos rebeldes no Afeganistão. O secretário de Estado adjunto, Nicholas Burns, foi além e disse na quarta-feira à rede CNN que os EUA dispõem de "provas incontestáveis" de que os envios "partem do governo iraniano". Burns acrescentou que as remessas de armas sairiam do comando do Corpo da Guarda Revolucionária, que é uma instituição fundamental do governo iraniano. "Atualmente nós temos um bom relacionamento com o Irã e acreditamos que a segurança e a estabilidade do Afeganistão também são de interesse iraniano", disse Wardak para a imprensa. "Existe a evidência de armas, mas é difícil ligá-las ao Irã. Eles podem ser da Al-Qaeda, do tráfico de drogas ou outras fontes", acrescentou. Em declarações a um grupo de jornalistas, na véspera de uma reunião ministerial da Otan, Gates evitou culpar diretamente o regime iraniano. "Mas, devido à quantidade, é difícil acreditar que o tráfico aconteça sem o conhecimento de Teerã", disse. Ele comentou que é irônico que "o governo afegão e o iraniano mantenham boas relações". O chefe do Pentágono confessou desconhecer as motivações do Irã. "Pode ser um jogo duplo, equilibrando apostas, mas quais são seus objetivos, além de nos causar problemas, eu não sei", disse. Os EUA mantêm 26 mil soldados no Afeganistão, 12 mil deles em operações antiterroristas que fazem parte da Operação Liberdade Duradoura. Os 14 mil restantes estão integrados na Força de Assistência para a Segurança (Isaf), sob comando da Otan.

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