EUA acusam Síria de descumprir acordo da Liga Árabe

Os Estados Unidos têm sérias preocupações sobre a missão da Liga Árabe que monitora a implementação de um acordo de paz na Síria, e acha que Damasco não demonstra interesse em cumprir os compromissos assumidos nessa negociação, afirmou o Departamento de Estado norte-americano nesta terça-feira.

REUTERS

03 de janeiro de 2012 | 19h54

"O regime sírio não tem cumprido o pleno espectro de compromissos feitos à Liga Árabe ao aceitar sua proposta, há cerca de nove semanas", disse a porta-voz Victoria Nuland. "Por exemplo, a violência não parou -longe disso", acrescentou ela, citando relatos de dezenas de mortes na Síria desde 31 de dezembro.

A Liga Árabe declarou na segunda-feira que seus monitores estão ajudando a conter a violência na Síria, decorrente da violenta repressão a dez meses de protestos contra o presidente Bashar al-Assad. Dirigentes do organismo internacional pediram paciência para que os monitores possam fazer seu trabalho.

Mas, desde a chegada da delegação, na semana passada, as forças de segurança mataram pelo menos 132 pessoas, segundo contagem da Reuters. Alguns grupos de ativistas dizem que o total de vítimas fatais no período chega a 390.

O plano de paz mediado pela Liga Árabe prevê a desmilitarização das cidades, a libertação de milhares de pessoas presas durante a revolta e o estabelecimento de um diálogo do governo com a oposição.

O secretário-assistente de Estado norte-americano para o Oriente Médio, Jeffrey Feltman, deve viajar ao Cairo para discutir a situação antes de uma reunião de ministros árabes na cidade, no sábado, segundo Nuland.

A oposição a Assad se queixa do tamanho limitado da missão da Liga Árabe, e criticou o seu chefe, um general sudanês, por fazer declarações tranquilizadoras após uma primeira visita a Homs, um dos principais focos de distúrbios na Síria.

Os EUA, segundo Nuland, estão preocupados com relatos de que em alguns casos as forças militares sírias estariam usando fardas policiais para continuarem reprimir os manifestantes.

"Em alguns casos, o regime está na verdade apresentando seus falsos relatos de que os monitores estão a caminho, os manifestantes saem às ruas, e aí atiram neles", afirmou a porta-voz.

Nuland disse que os EUA continuarão consultando os incipientes grupos oposicionistas sírios e seus aliados sobre os próximos passos a serem tomados diante da crise. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 5.000 pessoas já foram mortas pela repressão aos protestos desde março.

Rebeldes armados sírios agora ameaçam intensificar seus ataques contra as forças governistas, e Nuland reiterou os alertas norte-americanos de que uma escalada do conflito só iria exacerbar o problema. "É isso exatamente que o regime quer ... tornar a Síria mais violenta e ter um pretexto para retaliar."

(Reportagem de Andrew Quinn)

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