EUA admitem erros em incidente no Paquistão, diz jornal

Um inquérito militar dos EUA concluiu que soldados norte-americanos e paquistaneses avaliaram erroneamente o alvo de um bombardeio que matou 24 militares paquistaneses no mês passado na fronteira com o Afeganistão, disse o Wall Street Journal nesta quinta-feira.

REUTERS

22 de dezembro de 2011 | 10h07

Em nota divulgada após a publicação da reportagem, o Pentágono disse que uma "coordenação inadequada por parte de oficiais militares dos EUA e Paquistão" e "nossa confiança em um mapeamento incorreto... contribuíram para esse trágico resultado".

Citando fontes oficiais dos EUA familiarizadas com a investigação, o WSJ disse que a investigação, a ser apresentada na sexta-feira às autoridades de Defesa dos EUA, admite uma responsabilidade significativa dos norte-americanos no incidente de 26 de novembro, que agravou o clima de desconfiança nas relações entre Washington e Islamabad.

O Pentágono disse "lamentar profundamente" a falta de coordenação e as mortes resultantes. Mas acrescentou que as forças dos EUA não podem operar de forma eficaz nas áreas fronteiriças do Paquistão "sem resolver a confiança fundamental que ainda falta entre nós".

As relações entre EUA e Paquistão, aliados desde 2001 na guerra contra os militantes islâmicos do Taliban, vem piorando nos últimos meses por causa de bombardeios norte-americanos em solo paquistanês, culminando com a ação militar dos EUA, em maio, que matou o militante Osama bin Laden numa cidade do Paquistão.

Além disso, autoridades dos EUA acusam os serviços paquistaneses de inteligência de colaborarem com militantes islâmicos.

Segundo o Wall Street Journal, o inquérito militar dos EUA corrobora alguns elementos importantes na versão paquistanesa do incidente, e contradiz relatos anteriores das forças norte-americanas, segundo as quais os paquistaneses teriam autorizado o bombardeio, confundindo seus próprios soldados com militantes. Esse foi o pior incidente de "fogo amigo" em dez anos de guerra no Afeganistão.

O ataque levou o Paquistão a dar 15 dias para que os EUA desocupassem a Base Aérea de Shamsi, e a bloquear as rotas de suprimento para as forças norte-americanas no Afeganistão. Islamabad também exigiu um pedido formal de desculpas.

Segundo o jornal, o relatório diz que uma equipe militar composta por afegãos e norte-americanos foi alvejada a partir de uma serra, e que depois disso aviões F-15 e AC-130 fizeram disparos de advertência contra as posições dos atiradores.

Forças no terreno pediram informações à Otan, e receberam por rádio a seguinte informação: "Não estamos localizando nenhum mil-pak (militar paquistanês) na área".

As forças terrestres então interpretaram que não havia militares paquistaneses na região, segundo a apuração do WSJ.

Um segundo equívoco envolveu dados imprecisos fornecidos pelas forças dos EUA para os militares paquistaneses num centro de coordenação da fronteira, de acordo com a reportagem.

Mas, segundo os militares dos EUA, os paquistaneses também deveriam ter percebido que não estavam disparando contra insurgentes, por causa da presença dos aviões.

"É difícil confundir essas unidades com insurgentes", disse a fonte oficial dos EUA ao WSJ. "Uma das lacunas na investigação é que não sabemos por que eles foram alvejados pelos militares paquistaneses."

(Reportagem de Doina Chiacu em Washington e Michael Georgy em Islamabad)

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