EUA, Afeganistão e Paquistão planejam diálogo regular

Os Estados Unidos, o Afeganistão e o Paquistão decidiram manter conversas tripartites regulares a respeito da sua estratégia na guerra do Sul da Ásia, disse a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, na quinta-feira. Ela havia recebido delegações do Afeganistão e Paquistão para um raro encontro trilateral de aliados na guerra do Afeganistão, iniciada há sete anos. O evento é parte da revisão do governo Obama com relação às suas políticas naquela volátil região. "Nossas três nações têm um objetivo comum, uma ameaça comum e uma tarefa comum, e meu governo se compromete com nossos amigos e com o sucesso dessa empreitada comum", disse Hillary ao lado de seus homólogos afegão e paquistanês. Ela disse que o próximo encontro deve acontecer em abril ou maio. A reunião em Washington ocorreu num momento de demonstrações cada vez mais abertas de divergências entre o governo Obama e o governo afegão de Hamid Karzai. Mais de sete anos depois da queda do regime islâmico do Taliban, a insurgência desse grupo militante continua se espalhando no Afeganistão, afetando agora também o vizinho Paquistão. Cabul e Islamabad têm atritos por causa dessas incursões dos militantes, e também por causa das suspeitas de que alguns agentes paquistaneses estariam apoiando o Taliban e alimentando o conflito, algo que o governo paquistanês nega. Apesar desse cenário político, os chanceleres Shah Mehmood Qureshi (Paquistão) e Rangeen Dadfar Spanta (Afeganistão) saíram do encontro em Washington apontando um novo ambiente de confiança mútua. Antes, Spanta declarou que seu apelo por mais apoio para a construção das forças afegãs de segurança e para o desenvolvimento de uma estratégia mais ampla na guerra havia recebido uma "resposta muitíssimo positiva" por parte dos anfitriões norte-americanos. Ele citou a nomeação de um enviado especial dos EUA para a região, o veterano diplomata Richard Holbrooke, como um reconhecimento da necessidade de uma abordagem mais ampla no teatro de guerra. "Minha tese é de que o principal centro de ameaça de instabilidade na guerra não é o Iraque, não é o Afeganistão - é muito mais o Paquistão", disse ele. (Reportagem de Paul Eckert e Andrew Gray)

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