EUA ajudam algumas pessoas citadas pelo WikiLeaks a se mudar

Os Estados Unidos já advertiram centenas de pessoas em todo o mundo que podem estar em perigo por causa da revelação de mensagens diplomáticas confidenciais pelo WikiLeaks e ajudaram algumas a se mudar para locais mais seguros, informou o Departamento de Estado na sexta-feira.

REUTERS

07 de janeiro de 2011 | 21h07

O porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que os grupos de risco podem incluir ativistas da sociedade civil, jornalistas ou funcionários do governo cujas discussões com autoridades reveladas pelo WikiLeaks poderão irritar governos estrangeiros ou outras forças políticas.

"Estamos nos concentrando em pessoas que foram identificadas em documentos e avaliando se existe um risco maior de violência, prisão ou outros riscos graves, particularmente em sociedades repressivas de todo o mundo", disse a repórteres.

"Identificamos várias centenas de pessoas em todo o mundo que estão em perigo potencial", disse Crowley. "Em um pequeno número de casos, ajudamos pessoas a se deslocarem de onde estão para locais mais seguros."

Ele não disse se alguma das pessoas envolvidas já havia sofrido uma ameaça específica.

Crowley se recusou a discutir detalhes da ajuda para os envolvidos, mas disse que autoridades norte-americanas estavam monitorando a situação.

Ele acrescentou que os Estados Unidos haviam alertado os governos estrangeiros para que não fizessem represálias contra as pessoas mencionadas nas revelações.

"Em casos especiais, deixamos claro para os governos que quaisquer ações negativas contra pessoas identificadas pelo WikiLeaks afetarão o futuro das nossas relações com esses governos", disse.

Crowley afirmou que os Estados Unidos não revelaram as identidades das pessoas envolvidas, mas que "em certos casos, as pessoas que vierem a ser identificadas já são bem conhecidas por nós e por governos específicos."

Os Estados Unidos estão examinando se podem fazer acusações criminais contra o fundador WikiLeaks, Julian Assange, por ajudar a tornar públicos centenas de milhares de documentos confidenciais dos EUA.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, comandou os esforços para acalmar os governos estrangeiros, alguns dos quais foram colocados na berlinda com a publicação de relatórios diplomáticos sem censura dos EUA.

Ela acusou o WikiLeaks de agir sem levar em conta a segurança das pessoas mencionadas por nome nas mensagens.

Crowley afirmou que o Departamento de Estado formou uma equipe especial para avaliar os riscos potenciais para os indivíduos devido às publicações do WikiLeaks, que têm sido feitas através de várias organizações de mídia.

A Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Estado afirmaram que estão revisando seus procedimentos a fim de garantir que esses vazamentos não ocorram novamente.

(Reportagem de Andrew Quinn)

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