EUA alertam sobre violência e sonegação fiscal na América Latina

A América Latina fez grandes avanços na construção da democracia e na ampliação do livre comércio, mas os ricos ainda não pagam impostos suficientemente, e há violência demais, disse na quarta-feira a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.

ANTHONY BOADLE, REUTERS

11 de maio de 2011 | 18h30

À exceção de Cuba, a América Latina desfruta de um período inédito de regimes democráticos e crescimento econômico, disseram Hillary e outros funcionários dos EUA numa conferência da entidade Conselho das Américas.

Mas ela afirmou que a educação e as políticas fiscais continuam frágeis, e que a disparidade entre ricos e pobres permanece enorme na região, onde dezenas de milhões de pessoas vivem na pobreza.

"Ainda há muito pouca gente de posses pagando sua parcela justa de impostos aos seus governos, a fim de patrocinar serviços para aqueles que de outra maneira estariam atolados na pobreza geracional", disse Hillary. "E há violência demais."

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou em março um plano para colaborar com o México e com países da América Central no combate ao crime organizado e aos cartéis de drogas.

Só no México, mais de 38 mil pessoas já foram mortas desde que o presidente do país, Felipe Calderón, tomou posse, em dezembro de 2006, e mobilizou as Forças Armadas para combater o tráfico.

Hillary disse que os EUA e o México ainda estão resolvendo uma disputa sobre o tráfego de caminhões na sua fronteira comum, para tornar essa atividade mais segura e acabar com as tarifas retaliatórias mexicanas sobre produtos norte-americanos.

Washington também espera implementar neste ano dois acordos de livre comércio, com Colômbia e Panamá, cuja adoção está atrasada, segundo ela.

Para aprovar esses dois acordos, o Congresso dos EUA aguarda alterações em leis trabalhistas da Colômbia e medidas para uma maior transparência tributária no Panamá. Hillary disse haver "grandes progressos" em ambas as frentes.

Com relação a Cuba, alvo de uma modesta abertura por parte do governo Obama, que facilitou viagens e remessas financeiras dos EUA para lá, Hillary disse: "Poderíamos fazer mais se víssemos evidências de que havia uma oportunidade por parte do lado cubano, porque queremos ... trabalhar pela época em que Cuba desfrute da sua própria transição para a democracia."

O principal diplomata dos EUA para a América Latina, Arturo Valenzuela, disse que a autorização para viagens de norte-americanos a Cuba se destina a promover uma aproximação com os cidadãos cubanos, e não com o regime comunista, como dizem os críticos.

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