EUA ameaçam ruptura com Rússia se trégua não for respeitada

Washington descarta ação militar contra Moscou; Rice tenta elaborar novo cessar-fogo para conflito no Cáucaso

Associated Press,

14 de agosto de 2008 | 20h43

Os Estados Unidos ameaçaram nesta quinta-feira, 14, uma ruptura com a Rússia se Moscou não cumprir rapidamente sua promessa de retirar as tropas da Geórgia. Em contraste com a dura posição de Washington, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pressionou a ex-república soviética com um novo plano de cessar-fogo que oferece concessões à Rússia.  Veja também:Rússia desafia EUA e apoiará separatistasNYT: Geórgia sofreu ataque virtual Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia Segundo oficiais americanos, o novo documento permite que as forças russas que estão na disputada província separatista de Ossétia do Sul permaneçam na região. Além disso, também autorizaria a patrulha russa numa faixa de cerca de 9,7 quilômetros fora daquela área. Mas a autorização seria temporária, e os detalhes ainda estariam sendo discutidos. Em Washington, a política externa do presidente George W. Bush tenta influenciar Moscou com advertências, enquanto uma ação militar é descartada. O líder americano pediu novamente que a trégua seja honrada e que o governo russo respeite a "integridade territorial" da Geórgia. Ele teve uma reunião de quase quatro horas na CIA sobre a guerra contra o terror e a situação no Cáucaso. O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, disse não ver necessidade de empregar a força militar americana em uma guerra de quase uma semana, apesar da incerteza dos próximos passos do governo russo. "Os Estados Unidos passaram 45 anos trabalhando duro para evitar um confronto militar com a Rússia. Não vejo porquê mudar esse discurso hoje", declarou Gates no Pentágono. Nesta quinta-feira, o governo da Geórgia declarou que mais de 100 tanques russos se moveram da cidade georgiana de Zugdidi para o interior do país. "Acredito que o que vier acontecer nos próximos dias e meses irá determinar o futuro das relações entre Rússia e Estados Unidos", acrescentou Gates. "Minha visão é de que algumas conseqüências serão necessárias pelas ações russas contra um Estado soberano." O secretário declarou aos repórteres que acredita que Moscou decidiu "punir a Geórgia por tentar se integrar com o Ocidente", ações que, para ele, põe em dúvida as tentativas de estabelecer parcerias políticas, econômicas e militares com Moscou. Rice estava em Paris lançando outro pedido urgente para a Rússia cumprir o cessar-fogo acordado previamente, a frente de sua missão diplomática. O presidente francês Nicolas Sarkozy, que ocupa a Presidência temporária da União Européia e está liderando os esforços do Ocidente para o fim do conflito, disse que o novo documento que está sendo preparado "pretende consolidar o cessar-fogo." Na terça-feira, Rússia e Geórgia concordaram em uma trégua para o confronto, mas tanques e tropas russas permanecem na região. O conflito entre os dois países começou na última sexta-feira, quando Moscou lançou uma grande ofensiva militar contra as forças georgianas em Ossétia do Sul, que depois se estendeu para o território da Geórgia.

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