EUA analisam vazamento sobre plano de atentado

O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Rogers, disse na quarta-feira estar preocupado com a falta de informações do governo Obama a parlamentares acerca de um complô recentemente desbaratado, e insinuou que isso se deve a interesses eleitorais.

TABASSUM ZAKARIA E MARK HOSENBALL, REUTERS

09 Maio 2012 | 20h25

Os comentários ocorreram enquanto um alto funcionário de inteligência anunciava uma "revisão interna" de possíveis vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao plano, no qual militantes islâmicos eram suspeitos de terem preparado uma "cueca-bomba" para ser detonada em um avião. A revisão não é considerada, ao menos por enquanto, como uma investigação com implicações criminais.

O republicano Rogers disse que o governo violou a lei ao não informar o Congresso sobre suas operações secretas, e que por isso ele iniciaria uma avaliação preliminar. Rogers acrescentou que só ficou sabendo do plano desbaratado na segunda-feira, e que deveria ter sido avisado muito antes.

Autoridades dos EUA revelaram publicamente na segunda-feira que a Al Qaeda da Península Arábica, que opera no Iêmen, estaria preparando um atentado suicida com uma bomba não-metálica, que seria uma versão modernizada da "“cueba-bomba" descoberta a bordo de um avião com destino a Detroit no Natal de 2009.

Segundo essa versão, o complô foi desbaratado pela CIA e por serviços de inteligência de países aliados. As autoridades dizem que a operação acabou sendo revelada prematuramente por ter vazado para a imprensa.

"Nossa preocupação é o fato de ela ter vazado, e precisamos determinar se houve uma decisão consciente de não envolver a Comissão de Inteligência, porque estatutariamente eles (serviços de inteligência) deveriam ter feito isso", disse Rogers por telefone.

"Se não foi uma ação secreta, foi algo próximo de uma ação secreta, o que significa que as comissões deveriam ter sido notificadas e envolvidas, e não fomos, e isso me perturba. Nunca vi isso antes desse jeito", queixou-se o deputado.

Preston Golson, porta-voz da CIA, respondeu dizendo que a agência “se empenha em manter o Congresso informado; "levamos essa responsabilidade muito a sério".

Roger disse estar conduzindo uma "“revisão preliminar" do vazamento à imprensa e da decisão de não informar o Congresso antes. "Espero que não tenha sido, mas isso cheira a se vangloriar numa narrativa política, e é um troço realmente perigoso quando as pessoas decidem fazer isso."

A revelação prematura, disse o deputado, teve consequências. “"Essa é uma daquelas coisas que não deveriam ser ditas, porque esta operação poderia ter durado por algum tempo, e teria sido importante descobrir a extensão total dessa operação, em vez de tê-la interrompido por um vazamento."

Duas outras fontes dos EUA disseram que a operação foi abreviada por causa do vazamento. Uma dessas fontes disse que o fato teve consequências negativas, e a outras avaliou que a operação já tinha alcançado seu objetivo com a apreensão da bomba.

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