EUA anunciam plano para combater cartéis no México

Medidas contra o tráfico de drogas e violência são apresentadas na véspera da viagem de Hillary Clinton ao país

Agências internacionais,

24 de março de 2009 | 11h35

O governo americano anunciou nesta terça-feira, 24, que enviará mais agentes e reforçará seu pessoal contra o crime organizado na região da fronteira com o México para combater os cartéis responsáveis pelo tráfico de drogas. A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, e o subsecretário de Justiça David Ogden confirmaram ainda a criação de um centro de inteligência regional da Agência Federal de Investigações (FBI) para impedir que a violência que atinge o México ultrapasse a fronteira com os EUA.

 

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O anúncio do plano foi feito um dia antes da viagem da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ao país. Ele prevê ainda apoio ao Exército mexicano e aumentar a segurança nos postos de fronteira para tentar diminuir a presença de cartéis mexicanos em território americano. A Força Aérea mexicana receberá ainda 5 helicópteros, e a Marinha de guerra ganhará um avião de vigilância. Segundo nota emitida pela Casa Branca, a cooperação com o governo do México será reforçada em todos os níveis.

 

As autoridades americanas afirmaram que ampliarão o número de agentes de imigração e alfândegas, antidrogas e contra o tráfico de armas na divisa com o México. "O FBI aumentará seus esforços na fronteira com a criação de um Grupo de Inteligência do Sudoeste", que servirá como um centro de coordenação "de todas as atividades do FBI em relação ao México", afirmou nota emitida pela Casa Branca.

 

Janet Napolitano afirmou ainda que os EUA consideram usar tropas da Guarda Nacional para ajudar a conter a expansão da violência dos cartéis mexicanos além da fronteira. A secretária afirmou que antes de completar um plano sobre o envio de militares, gostaria de discutir o assunto com o governador do Texas, Rick Perry, responsável pelo pedido dos soldados.

 

Questionada sobre o muro fronteiriço entre os dois países, Janet confirmou que a construção continuará com o governo Obama, ainda que ela - que é ex-governadora do Arizona, um dos países que fazem fronteira com o México - desacreditou na utilidade da barreira na luta contra o narcotráfico. "Um muro não é a melhor maneira de gastar os nossos dólares, nem de prevenir que essas drogas entrem no país", afirmou.

 

Desde o início do ano, mais de mil pessoas foram assassinadas no México em casos ligados ao narcotráfico - em 2008, ocorreram 5 mil assassinatos. De acordo com dados do centro de inteligência do Departamento de Justiça, os cartéis mexicanos já operam em cerca de 230 cidades dos EUA e são responsáveis pelo aumento no número de sequestros, assassinatos e assaltos a residências em todo o país. Em Phoenix, no Arizona, a polícia local registra uma invasão de domicílio por dia, a maioria promovida pelos cartéis mexicanos. Autoridades em Atlanta afirmam que os índices de violência nos EUA são maiores do que os dados oficiais porque boa parte dos assassinatos envolve traficantes que não denunciam os crimes à polícia.

 

Os americanos são também os maiores clientes dos narcotraficantes mexicanos. A DEA (agência antidrogas dos EUA) calcula que os cartéis mexicanos faturem cerca de US$ 30 bilhões anuais com a venda de drogas nos EUA. Cerca de 450 mil pessoas estejam envolvidas com o narcotráfico e 2 mil armas por dia entrem ilegalmente no México - de acordo com o governo americano, 95% das armas usadas pelos cartéis vêm dos EUA. Agentes de imigração afirmam que o armamento contrabandeado é cada vez mais sofisticado e já inclui rifles calibre .50 e munição de 5 polegadas, capaz de penetrar uma parede.

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