EUA apontam 18 acusados de abusos a direitos humanos na Rússia

O governo Obama apontou nesta sexta-feira 18 pessoas como suspeitas de cometerem abusos contra os direitos humanos na Rússia, disse o Departamento do Tesouro dos EUA, num movimento que pode causar mais atritos entre Moscou e Washington.

SUSAN CORNWELL, Reuters

12 de abril de 2013 | 19h10

A divulgação da lista estava prevista em uma lei norte-americana aprovada no ano passado, e os incluídos devem sofrer restrições na concessão de vistos e congelamentos de bens nos EUA.

A lista inclui 16 pessoas diretamente envolvidas com o caso de Sergei Magnitsky, que morreu na prisão em 2009, disse um alto funcionário do Departamento de Estado sob condição de anonimato.

Um parlamentar americano afirmou que a lista é "tímida" e tem "omissões significativas", enquanto um parlamentar russo disse achar que o presidente Barack Obama fez o mínimo possível determinado pela lei de modo a não agravar as relações com Moscou.

Há na lista pessoas que trabalharam no ministério russo do Interior, e outros que trabalharam em tribunais, promotorias ou órgãos tributários.

O governo russo diz que Magnitsky morreu de insuficiência cardíaca, aos 37 anos, mas o conselho de direitos humanos do próprio Kremlin levantou suspeitas de que ele teria sido espancado até a morte.

Magnitsky foi preso sob acusação de fraude fiscal pouco depois de levantar acusações similares contra funcionários do governo russo em 2008.

O Congresso dos EUA aprovou a chamada Lei Magnitsky em dezembro, como parte de uma legislação mais abrangente destinada a ampliar o comércio com a Rússia. A lei exigia que o governo apresentasse até sábado uma lista inicial de pessoas ligadas a esse caso ou a outras "flagrantes violações de direitos humanos internacionalmente reconhecidos" na Rússia.

A publicação da lista pode complicar as relações entre EUA e Rússia, já abaladas pelo que críticos dizem ser uma onda de repressão contra dissidentes na Rússia, e por discordâncias a respeito de questões de segurança, como a guerra civil na Síria, aliado russo.

"A aparição de quaisquer listas sem dúvida terá um efeito muito negativo sobre as relações russo-americanas", disse Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin.

A lista sai três dias antes de o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, chegar a Moscou para discussões que, segundo a Rússia, incluirão os planos de defesa antimísseis dos EUA.

(Reportagem adicional de Doug Palmer em Washington e Steve Gutterman e Thomas Grove em Moscou)

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