EUA atrasam publicação de relatórios sobre Guantánamo

Comissão criada por Obama para revisar políticas da prisão pede mais 6 meses para preparar documento

Efe e Reuters,

21 de julho de 2009 | 01h20

O governo dos Estados Unidos atrasou a apresentação de um relatório crucial pedido pelo presidente Barack Obama como parte do plano para fechar a prisão de Guantánamo. Apesar disso, altos funcionários expressaram otimismo de que o prazo dado por Obama para o fechamento do centro de detenção na base naval, janeiro de 2010, será cumprido.

 

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Segundo reconheceram altos funcionários que preferiram não se identificar, o grupo de trabalho que devia apresentar um relatório com recomendações sobre a política de detenções de terroristas pediu uma prorrogação de seis meses. Em vez disso, deve ser apresentado um relatório provisório esta semana, data em que deveria ser divulgado o texto definitivo.

 

Um segundo relatório, focado em como realizar os interrogatórios dos suspeitos de terrorismo, requer uma prorrogação de dois meses, segundo os funcionários. Apesar disso, altos funcionários expressaram otimismo de que o prazo dado por Obama para o fechamento do Centro de detenção na base naval, janeiro de 2010, será cumprido.

 

Um grupo de trabalho composto por representantes do Departamento de Estado, Justiça, Defesa, advogados especialistas em direitos humanos e representantes das forças de segurança estudam caso por caso o futuro dos cerca de 240 detidos em Guantánamo. Em cada caso, se decide se o preso pode ser transferido a outro país ou será julgado em território americano.

 

Segundo as fontes, até o momento foram vistos aproximadamente metade dos casos e se decidiu a favor da transferência no caso de mais de 50 detidos, enquanto "um número significativo" será processado. Parte deles seria processado nos tribunais federais e parte em comissões militares, segundo as fontes.

 

Outro funcionário disse que a Casa Branca está avançando em conseguir que países europeus e de outros continentes aceitem prisioneiros, ainda que alguns deles não queiram discutir publicamente o tema. Até o momento, apenas um pequeno número de países aceitou a proposta, incluindo Arábia Saudita, Chade, Iraque e Ilhas Bermudas,

 

Apesar do atraso sobre os relatórios levantar dúvidas sobre os prazos apresentados por Obama, funcionários assinalaram que a data planejada para o fechamento da prisão - um ano após a posse presidencial, em janeiro - será mantida. "Se estamos caminhando para cumprir a data limite?", questionou um funcionário do governo. "A resposta é sim".

 

Obama enfrenta uma forte oposição entre os legisladores, incluindo alguns democratas, para a transferência de suspeitos de terrorismo de Guantánamo para prisões de segurança máxima em território americano para detenção e julgamento. Em maio, o Congresso exigiu um plano mais detalhado sobre o fechamento da prisão antes de garantir a verba necessária para o fechamento.

 

Texto atualizado às 7h50.

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