EUA aumentam pressão sobre Paquistão contra Al Qaeda

O governo Bush disse na quarta-feiraque vai insistir em tratar a Al Qaeda com dureza no Paquistão,admitindo que a estratégia empreendida pelo presidente PervezMusharraf não funcionou. "Não há dúvida de que passos mais agressivos precisam serdados", disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow. Na terça-feira, um relatório do serviço de inteligência dosEUA mostrou que a Al Qaeda ganhou força nas regiões tribaispaquistanesas vizinhas ao Afeganistão. Democratas viram nissouma prova de que a guerra do Iraque desviou recursos que osnorte-americanos deveriam estar empregando no combate à AlQaeda e ao Taliban. Musharraf, aliado dos EUA, assinou em setembro uma tréguacom as tribos do Waziristão do Norte, alegando que dessa formaestava isolando os militantes e combatendo o terrorismo. Inicialmente, o governo dos EUA apoiou o acordo, mas agoraadmite que ele fracassou. "O presidente Musharraf tentou entrarnuma diplomacia da cenoura (com concessões) para os líderestribais, e isso não funcionou", disse Snow. A Estimativa Nacional de Inteligência mostrou, segundo oporta-voz, que a estratégia paquistanesa "criou umaoportunidade para que a Al Qaeda basicamente encontrasse algumrefúgio". Autoridades norte-americanas suspeitam que Osama bin Ladene outros líderes da Al Qaeda estejam escondidos na montanhosaregião tribal paquistanesa. Pelo acordo de setembro, o Paquistão aceitava parar asoperações militares contra os militantes, em troca de umapromessa de que eles não enviariam combatentes para oAfeganistão e não atacariam o Exército paquistanês. No domingo, os militantes anunciaram o rompimento doacordo, depois de acusarem o governo de enviar mais tropas aoWaziristão do Norte e de realizar ataques, violando o pacto. Outras fontes oficiais norte-americanas, inclusive oassessor de Segurança Nacional Stephen Hadley, tambémconsideram que foi um erro permitir que os próprios líderestribais policiassem a região. Várias autoridades norte-americanas, inclusive ovice-presidente Dick Cheney, já foram neste ano ao Paquistãopara pressionar Musharraf a ser duro contra os militantesislâmicos. A bancada democrata no Congresso dos EUA cogita vincular aajuda militar norte-americana ao Paquistão a progressos do paísno combate ao terrorismo e promoção dos direitos humanos. Por outro lado, Musharraf teme que operações militares delarga escala matem civis e abalem sua popularidade, já queneste ano ele disputa um novo mandato.

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