EUA avaliam medidas adicionais para pressionar Honduras

Departamento de Estado recomendou que deposição de Zelaya seja qualificada como 'golpe militar'

Reuters e Efe, REUTERS

27 de agosto de 2009 | 17h24

O Governo dos Estados Unidos disse nesta quinta-feira, 27, que conversa com a Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a situação em Honduras e avalia suas "opções", como tomar "medidas adicionais" diante da resistência de Tegucigalpa em permitir o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya.

 

Durante uma entrevista coletiva, Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado americano, não falou diretamente sobre sanções, mas disse que tomarão "algumas decisões nos próximos dias". Crowley reiterou a postura de Washington é de que o Acordo de San José - que prevê o restabelecimento de Zelaya no poder e eleições antecipadas - é o "processo correto para ajudar a resolver" a crise política em Honduras.

 

Segundo o porta-voz, a recusa do Governo de fato presidido por Roberto Micheletti a aceitar o acordo para o retorno de Zelaya teve e segue tendo consequências na região.

 

Crowley lembrou que, como parte das pressões internacionais, a OEA suspendeu Honduras do organismo regional e o Banco Centro-Americano para a Integração Econômica congelou as linhas de crédito do país.

 

Membros do Departamento de Estado dos EUA recomendaram que a deposição do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, seja qualificada como "golpe militar," disse um funcionário nesta quinta-feira. A medida pode levar ao corte de até 150 milhões de dólares em ajuda dos EUA ao país.  Essa fonte, que pediu anonimato, disse que funcionários do Departamento de Estado fizeram a recomendação à secretária Hillary Clinton, que deve tomar uma decisão em breve.

Washington já suspendeu uma ajuda militar de 18 milhões de dólares a Honduras depois do golpe de 28 de junho. A ajuda seria formalmente interrompida se Hillary se pronunciar favoravelmente à recomendação, já que a legislação dos EUA proíbe a ajuda "ao governo de qualquer país cujo chefe de governo devidamente eleito seja deposto por um decreto ou golpe militar."

A fonte disse que uma doação de 215 milhões de dólares para financiar a Corporação dos EUA para o Desafio do Milênio em Honduras seria cancelada na hipótese de Hillary declarar que houve um golpe militar.

Cerca de 76 milhões de dólares dessa verba já foram liberados, e uma outra fonte oficial dos EUA disse que os restantes 139 milhões de dólares adicionais é que seriam afetados.

Diplomatas dizem que os EUA evitam qualificar formalmente o golpe de Honduras dessa forma, pois assim estariam dando uma chance para as negociações, sob mediação internacional, que se seguiram à deposição de Zelaya,

Tais esforços ainda não deram resultado algum, de modo que os EUA estariam dando passos para ampliar a pressão sobre o governo provisório --o que inclui a decisão, tomada na terça-feira, de parar de emitir vistos na sua embaixada em Tegucigalpa.

"A recomendação do prédio (do Departamento de Estado) é para que ela (Hillary) assine," disse o primeiro funcionário, acrescentando que isso seria uma resposta à recusa do governo interino em aceitar uma proposta do mediador costarriquenho Oscar Arias que levaria à restituição de Zelaya como presidente antes das eleições marcadas para novembro em Honduras.

 

Na terça-feira, o Departamento de Estado anunciou a suspensão, exceto em casos de emergência, da maioria dos vistos para hondurenhos que desejam viajar aos EUA como turistas, estudantes ou empresários, por exemplo, em decisão rejeitada por vários legisladores republicanos.

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