EUA buscarão outro país se Polônia recusar escudo antimíssil

Washington quer instalar também um sistema de radares na República Tcheca

SUAN CORNWELL, REUTERS

02 de maio de 2008 | 17h52

Os Estados Unidos vão buscar outrolugar para instalar o seu escudo antimísseis na Europa caso nãohaja sucesso nas negociações com a Polônia, disse umaimportante autoridade norte-americana à Reuters nestasexta-feira. A fonte, que pediu anonimato, se disse otimista com aperspectiva de os norte-americanos instalarem dezinterceptadores de mísseis na Polônia, embora ainda hajaalgumas questões complicadas a serem resolvidas. "Mas caso não tenhamos sucesso, vamos certamente respeitara soberania deles e vamos buscar alternativas -- outra opção delocalização para os interceptadores, simplesmente porqueprecisamos lidar com essa ameaça (de mísseis disparados porpaíses como o Irã)", acrescentou. Além dos interceptadores na Polônia, Washington querinstalar também um sistema de radares na República Tcheca. ARússia é contra o projeto, que afeta a sua esfera deinfluência. A Polônia impõe condições duras para receber o projeto,como uma verba de bilhões de dólares dos EUA para amodernização da defesa aérea polonesa. Com os tchecos, o acordo já está pronto e deve ser assinadoem breve, embora a ratificação parlamentar não estejagarantida. O governo norte-americano quer concluir esse acordo aindadurante o mandato do presidente George W. Bush, que termina emjaneiro. Essa pressa faz as autoridades polonesas se sentiremem condições de exigir mais. A fonte que falou à Reuters não quis especular para onde osinterceptadores iriam caso a Polônia não os queira. Masautoridades norte-americanas já disseram anteriormente queoutros países europeus foram cogitados antes que os EUA sedecidissem por República Tcheca e Polônia. As discussões com a Polônia se arrastam há meses, e umanova rodada está prevista para a semana que vem. Os presidentes Bush e Vladimir Putin, da Rússia, discutiramno mês passado o escudo antimísseis durante uma cúpula emSochi, um balneário do mar Negro. Não chegaram a nenhum acordo,mas Bush prometeu que vai continuar sensível às preocupações deMoscou. A Rússia quer manter monitores permanentes nas instalaçõesdo escudo antimísseis. O funcionário que falou à Reutersafirmou que uma possível concessão por parte de Washingtonseria autorizar que "funcionários de ligação" subordinados àsembaixadas russas em Varsóvia e Praga fizessem visitasperiódicas aos locais. De acordo com ele, tchecos e poloneses apóiam a idéia, etambém há reações positivas de Moscou, embora "eles obviamentequeiram mais." Também é possível, segundo a fonte, que haja ummonitoramento técnico -- com câmeras, por exemplo. "Afinal de contas, trata-se de território polonês eterritório tcheco, e esses governos terão a palavra final sobreo que ocorre em seus países, inclusive a respeito dos russos --bem como dos norte-americanos que estarão nesses locais", dissea fonte. Embora a Rússia não tenha poder de veto, os EUA sepreocupam em resolver suas preocupações. "A razão central paraisso é que achamos que temos uma relação incrivelmenteimportante com a Rússia", afirmou.

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