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EUA, Canadá e México trabalharão contra crise, gripe e clima

Chefes de governo discutiram assuntos na 5ª Cúpula dos Líderes da América do Norte em Guadalajara

AE-AP, AE-DJ, Reuters e Efe,

10 de agosto de 2009 | 16h32

Estados Unidos, Canadá e México prometeram nesta segunda-feira, 10, durante reunião da 5ª Cúpula dos Líderes dos Países da América do Norte, formar uma frente unida pela recuperação econômica e pelo comércio e para fazer frente à pandemia de gripe suína e ao aquecimento global.

 

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do México, Felipe Calderón, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, reuniram-se em Guadalajara para firmar políticas conjuntas em assunto que dizem respeito às três nações. Em umas das mais importantes decisões tomadas no encontro, os líderes disseram em comunicado conjunto que compartilham o compromisso de uma América do Norte com baixo nível de emissões de carbono.

 

Os três disseram apoiar o objetivo global de redução das emissões em 50% até 2050, na comparação com os níveis de 1990. Obama, Calderón e Harper apontaram que as nações em desenvolvimento deverão reduzir suas emissões em pelo menos 80% até o ano 2050.

 

A importância de "desenvolver e fortalecer" os instrumentos financeiros para respaldar a adaptação à mudança climática também foi lembrada pelos chefes de governo, que deram suas boas-vindas ao Fundo Verde Mundial proposto pelo México para combater o problema.

 

Os países norte-americanos planejam colaborar também no desenvolvimento de tecnologias que respeitem o meio ambiente e na construção de uma nova rede para conectar as novas fontes de energia com a atual rede de distribuição.

 

Narcotráfico

 

Sobre o narcotráfico, um dos assuntos mais importantes entre os EUA e o México, Calderón afirmou que seu governo e o Exército mexicano mantêm um "compromisso absoluto e categórico" com os direitos humanos em sua luta contra o narcotráfico e que o México tem "a condição inflexível" de defender os direitos de toda a população, em resposta às denúncias de vários setores sobre supostas violações.

 

Obama concordou e disse apoiar os esforços de Calderón na luta contra o tráfico de drogas. "Os principais violadores dos direitos humanos são os cartéis do tráfico", disse o presidente americano, que disse confiar que a melhor capacitação e coordenação das forças armadas trará mais transparência e respeito aos direitos humanos no México.

 

H1N1

 

Obama e Harper disseram que seus governos compartilhariam informações, pois ambos enfrentam a possibilidade de um novo surto do vírus H1N1 no outono. "O H1N1, como sabemos, voltará neste inverno", disse Calderón na entrevista coletiva conjunta. "Estamos nos preparando, todos os três países, para enfrentar essa contingência de maneira responsável e diminuir seus impactos para nossa população."

 

Imigrantes

 

O presidente do México, Felipe Calderón, pediu ao líder americano, Barack Obama, que não esqueça o peso que os imigrantes mexicanos têm na economia e na sociedade dos Estados Unidos, mas ressaltou o "valor" de seu Governo na questão migratória. "Todos eles contribuíram enormemente com a economia e com a sociedade americana. É impossível pensar que os EUA seriam a primeira potência do mundo no século passado sem a colaboração dos trabalhadores mexicanos", disse.

 

Segundo Calderón, na reunião realizada no domingo com Obama, um dia antes das atividades principais da cúpula entre os líderes da América do Norte, ambos enfatizaram a necessidade de "continuar pedindo a proteção dos direitos humanos dos migrantes mexicanos, qualquer que seja sua condição migratória". No entanto, Calderón não se referiu à possível reforma migratória reivindicada há anos pelas autoridades mexicanas e que parece estar ainda muito longe de se concretizar.

 

O presidente dos EUA reconheceu que tem "o prato cheio" e que, com o fim do recesso do Congresso, os legisladores terão primeiro que trabalhar em questões pendentes, como as reformas de saúde, de energia e do sistema regulador dos bancos, nessa ordem. No entanto, insistiu que está comprometido com a reforma migratória, sem importar com o que dizem as enquetes sobre sua gestão.

 

Sobre o assunto, afirmou que deu início a reuniões com líderes democratas e republicanos para avançar no diálogo sobre a reforma. A reforma é assunto-chave na agenda bilateral dos EUA e México, tendo em conta que boa parte dos aproximadamente 12 milhões de imigrantes ilegais é de origem mexicana.

 

A fragilidade da fronteira, no entanto, é algo que gera discussão entre alguns líderes republicanos e grupos conservadores americanos, que se opõem a uma "anistia" para quem cruzar ilegalmente a fronteira em direção aos EUA.

 

Obama disse que uma reforma migratória tem que incluir os componentes de segurança fronteiriça, um "processo ordenado" para futuros fluxos migratórios e uma via para a legalização de imigrantes ilegais "para que saiam da sombra". "Acredito que poderemos alcançá-la", enfatizou o presidente.

 

Economia

 

Os três líderes prometeram respeitar o Nafta (acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México), mas divergiram sobre algumas questões.

 

Harper conversou com Obama sobre as preocupações do Canadá com as cláusulas do "Buy American" (compre produtos dos EUA) no plano de estímulo econômico de 787 bilhões de dólares dos Estados Unidos, pois os canadenses temem que isso poderia excluir empresas canadenses. O Canadá é o maior parceiro comercial dos EUA.

 

Obama disse que era importante manter em perspectiva o fato de que nenhuma medida protecionista foi imposta e que as cláusulas do "Buy American" estavam limitadas ao estímulo e "de forma nenhuma coloca em risco os bilhões de dólares comercializados entre nossos dois países".

 

Calderón, que tenta convencer Obama a resolver uma disputa de fronteira com relação ao transporte rodoviário a fim de permitir que os caminhões mexicanos trafeguem nos EUA, disse que os três líderes acreditam que é essencial cumprir o Nafta e "resolver os tópicos pendentes" inibindo uma competitividade regional maior. Obama deixou claro para Calderón que estava trabalhando com o Congresso dos EUA para resolver o que ele considera ser preocupações legítimas sobre segurança com os caminhões mexicanos.

 

Ele afirmou que EUA, México e Canadá deveriam tomar medidas para evitar o protecionismo, dizendo "precisamos expandir esse comércio e não restringi-lo".

 

Crise

 

"Promover a recuperação da atual crise econômica é uma prioridade para cada um de nós", disseram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, e o presidente mexicano, Felipe Calderón, em comunicado conjunto divulgado ao final de sua reunião de cúpula em Guadalajara, México.

 

Os três líderes disseram que o comércio na América do Norte é um elemento vital para o bem-estar econômico e prometeram evitar medidas de protecionismo comercial ao mesmo tempo em que reiteraram o compromisso para sustentar os acordo de proteção dos direitos dos trabalhadores e do meio ambiente. Eles também prometeram continuar a investir em tecnologia para proteger suas fronteiras sem diminuir o comércio.

 

Separadamente, os líderes norte-americanos endossaram uma acelerada revisão do Banco Interamericano de Desenvolvimento para assegurar que a instituição tenha recursos suficientes de curto prazo para oferecer empréstimos que ajudem a diminuir os efeitos da crise econômica nas regiões mais pobres.

 

Os três líderes prometeram apresentar uma resposta "conjunta, responsável e transparente" à disseminação da gripe suína, segundo declaração conjunta.

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