EUA cobram ação ampla de Conselho de Direitos Humanos da ONU

Os Estados Unidos participaram na quarta-feira pela primeira vez de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, pedindo ao órgão que trate de todas as violações ocorridas no mundo, e que pare de dirigir tantas críticas a Israel. No primeiro pronunciamento dos EUA ao plenário do Conselho, criado há três anos, o embaixador interino dos EUA em Genebra, Mark Storella, alertou contra as "alarmantes tentativas" de alguns dos 47 países do grupo para abalar a liberdade de expressão. "Estamos preocupados com o fracasso deste Conselho até agora em tratar de algumas das violações mais egrégias contra os direitos humanos no mundo hoje, e com algumas tentativas isoladas, mas alarmantes, de alguns de usarem as resoluções do Conselho para solapar os direitos humanos universais para todos", disse ele. O novo governo do presidente Barack Obama reverteu a política de seu antecessor George W. Bush de ignorar o Conselho, anunciando neste mês que os EUA assumiriam uma vaga de observador. Storella disse que, sob Obama, os EUA "prometem trabalhar junto com todos os que trabalham de boa-fé para promover e proteger os direitos humanos de todas as pessoas do mundo". Mas ele afirmou que o Conselho --onde um grupo de países islâmicos, mais nações africanas, Cuba, China e Rússia, formam uma maioria que se protege mutuamente de críticas-- deve chamar todos os governos à responsabilidade. "Ele não deve ser um refúgio para os governos que busquem rejeitar as críticas ou ocultá-las do seu histórico, ou abalar a proteção aos direitos humanos", disse. "Pediremos que o Conselho continue totalmente voltado para seu mandato, que não seja distraído pela política e por debates em outros fóruns." Os Estados Unidos, segundo o diplomata, continuam preocupados com a politização dos direitos humanos "e com este repetido assinalar do Conselho contra um só país", uma clara referência a Israel, alvo de inúmeras resoluções do bloco islâmico no Conselho. Das dez sessões especiais já realizadas no Conselho, cinco se destinavam a discutir e criticar políticas de Israel em relação aos palestinos e ao Líbano. Os dois únicos outros países submetidos a sessões especiais foram Mianmar e República Democrática do Congo. Nelas, porém, não houve condenações explícitas aos respectivos governos. Um recente relatório da Comissão Internacional de Juristas criticava o histórico dos direitos humanos no governo Bush e dizia que muitos Estados antidemocráticos haviam usado práticas de contraterrorismo dos EUA para justificar seus próprios abusos. Houve uma especial condenação da CIJ ao tratamento dispensado pelos EUA a presos no Iraque, no Afeganistão e na base naval de Guantánamo. (Reportagem de Robert Evans)

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