EUA condenam ex-líder das Farc a 60 anos de prisão

O ex-líder guerrilheiro colombianoSimón Trinidad foi condenado na segunda-feira por um tribunaldos Estados Unidos a 60 anos de prisão por conspirar para osequestro de três norte-americanos. Cabe recurso. Trinidad, cujo nome verdadeiro é Ricardo Palmera, eraconsiderado o líder mais importante das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia já extraditado para os EUA.Torna-se agora também o primeiro membro do grupo a sercondenado por terrorismo nesse país. O juiz Royce Lamberth disse que, pela lei norte-americana,Trinidad deveria pegar prisão perpétua, mas que o tratadobilateral de extradição prevê que ele só pode ser condenado àpena máxima correspondente da Colômbia. Pouco antes da leitura do veredicto, Trinidad disse quetinha a consciência tranquila e que seguia fiel ao ideário dasFarc, que segundo ele também condena o terrorismo. "Aqui se fez um julgamento político de cabo a rabo", disseTrinidad, que qualificou de "neocolonial" a extradição deguerrilheiros para os EUA, prática que segundo ele estariasendo usada como forma de chantagem pelo governo de AlvaroUribe contra as Farc. Trinidad também será julgado por narcotráfico nos EUA. Neste primeiro processo, ele era acusado de colaborar com osequestro de três norte-americanos que formam parte de um grupode reféns que pode ser trocado por guerrilheiros presos.Trinidad disse torcer para que isso aconteça. A negociação para a troca dos reféns está em andamento, mascomplicada pela exigência das Farc de que uma enorme área daselva colombiana seja desmilitarizada, algo que o governo deUribe rejeita. As Farc tentaram incluir Trinidad e outra guerrilheirapresa nos EUA, Nayibe Rojas, a "Sonia", nessa troca deprisioneiros. Mas Trinidad, que havia sido declarado culpado em 9 dejulho, pediu que isso não ocorresse, pois dificultaria anegociação. Em carta, pediu ainda que as Farc dêem prova devida de seus reféns. (Reportagem de Adriana Garcia)

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