EUA confirmam 'ajuste' em escudo antimísseis, diz Pentágono

Premiê da República Checa anunciou que o governo americano suspendeu seu projeto de defesa na Europa

Agência Estado,

17 de setembro de 2009 | 09h39

Os Estados Unidos anunciaram um "importante ajuste" no controverso projeto da administração do presidente George W. Bush para a construção de um escudo antimísseis no Leste Europeu. Um porta-voz do Pentágono confirmou nesta quinta-feira, 17, que Washington realizará "um grande ajuste e uma melhoria no sistema antimísseis europeu". Mais cedo, o primeiro-ministro checo, Jan Fischer, chegou a dizer em entrevista coletiva que a iniciativa havia sido cancelada. "Pouco após a meia-noite eu fui informado em um telefonema pelo presidente Barack Obama que (sua) administração decidiu desistir do plano do escudo antimísseis (na República Checa e na Polônia)", relatou Fischer.

 

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Uma alta fonte da Defesa norte-americana, porém, disse que a intenção é adotar um sistema mais "versátil" que o anteriormente planejado. A fonte falou sob condição de anonimato. A iniciativa da construção do escudo antimísseis no Leste Europeu é fortemente rechaçada pela Rússia, apesar de os EUA argumentarem que o sistema seria apenas uma proteção contra um eventual ataque do Irã. O diário The Wall Street Journal, que antecipou a notícia, informou que os EUA justificarão a decisão dizendo que o programa de mísseis de longa distância do Irã não avançou tão rapidamente quanto o esperado, reduzindo a ameaça aos EUA e às maiores capitais europeias.

 

Funcionários norte-americanos divulgaram que informarão aos seus parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas, sobre o futuro dos planos do escudo antimísseis. Os funcionários dos EUA serão recebidos às 11h (de Brasília) pelos 28 embaixadores da Otan e "os informarão sobre o ponto de vista americano" nesse tema, segundo um diplomata da Otan. O governo americano deve ainda fazer o anúncio sobre os planos para o sistema antimísseis nesta quinta-feira

 

Um importante assessor de política externa da Polônia, antes da confirmação dos EUA, criticou a possível desistência dos norte-americanos. "Caso seja confirmado, isso seria um fracasso no pensamento de longo prazo da administração dos EUA para essa parte da Europa", avaliou Aleksander Szczyglo, chefe da segurança nacional da presidência polonesa. Segundo ele, o sistema antimísseis não tinha apenas uma dimensão militar, mas também uma "política e estratégica".

 

A Polônia e os EUA firmaram um acordo em 2008 para a instalação de 10 interceptadores de mísseis no país europeu até 2013. Além disso, seria instalada um sistema de radar na República Checa. Como parte do pacto, mísseis Patriot terra-ar também seriam posicionados na Polônia, o que irritou Moscou.

 

Uma fonte do alto escalão do exército dos EUA disse ao WSJ que a decisão do país de suspender a construção do escudo certamente trará incômodo ao Leste Europeu, onde autoridades têm expressado preocupação com a possibilidade de que os esforços dos EUA de retomarem as relações com Moscou ocorram em detrimento dos aliados norte-americanos no ex-bloco soviético. "Os poloneses estão nervosos", disse a fonte.

 

Também antes da confirmação dos EUA, a Rússia deu declarações favoráveis ao fim do projeto. "Nós estamos esperando que os relatos sejam confirmados", disse um funcionário do Ministério de Relações Exteriores, segundo a agência RIA Novosti. "Tal desdobramento estaria de acordo com os interesses de nossas relações com os EUA". Segundo a agência AFP, Moscou negou qualquer tipo de acordo para que a Casa Branca suspendesse o projeto.

 

Em novembro, a Rússia chegou a afirmar que posicionaria mísseis Iskander perto da fronteira polonesa, caso os norte-americanos instalassem o sistema antimísseis. "Os planos de Bush antimísseis como conhecíamos até agora nada mais eram que uma provocação da segurança na região europeia", avaliou o embaixador da Rússia para a Otan, Dmitry Rogozin, em entrevista por telefone.

 

O governo polonês advertiu que a decisão pode ainda ser diferente da relatada pelo Journal. "Eu sugeriria que vocês aguardassem para tomar suas conclusões, porque a decisão final pode ser diferente da que a maioria de vocês espera", afirmou o ministro de Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski.

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