EUA confirmam analista como principal suspeito de vazamento de documentos

Material divulgado pelo site WikiLeaks revelas detalhes e falhas na guerra do Afeganistão

Efe

28 de julho de 2010 | 14h46

WASHINGTON - O Pentágono confirmou nesta quarta-feira, 28, que o principal suspeito do vazamento de documentos secretos dos EUA sobre a guerra no Afeganistão é o analista de inteligência Bradley Manning, que foi cogitado como possível fonte desde o dia da divulgação do caso.

 

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lista  Leia a íntegra no Wikileaks  (Em inglês)

 

O Departamento de Defesa americano acredita que Manning, de 22 anos, acusado no mês passado de vazar outros documentos ao site WikiLeaks, teve acesso à rede global do Exército e ao sistema de emails e coletou dezenas de milhares de documentos, segundo um alto funcionário do Pentágono citado pela rede de notícias CNN.

 

O departamento dirigido por Robert Gates suspeita agora que Manning entrou na rede altamente protegida Secret Internet Protocol Router Network (SIPRNET), que fornece acesso a e-mails e ao sistema de internet secreto do Pentágono aos militares que têm a autorização para fazê-lo, de acordo com as mesmas fontes.

 

Para poder ter acesso a estes sistemas, o pessoal autorizado precisa de senhas e passar por outras medidas de controle, como o acesso físico, para conectar-se a sistemas específicos que fornecem informação classificada nos mais altos níveis.

 

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, se negou a revelar quem forneceu ao site os cerca de 91 mil documentos militares sobre a guerra do Afeganistão. Ele, porém, defendeu que o material é verdadeiro e confiável.

 

Os mais de 91 mil documentos relacionados revelam um grande crescimento da força da insurgência Taleban, a dificuldades das tropas internacionais em lidar com autoridades e civis locais e que as tropas do Paquistão estão ajudando os rebeldes no território afegão.

 

O material, divulgado pelo wikileaks.org e publicado pelos jornais New York Times, The Guardian e Der Spiegel no domingo, revela detalhes minuciosos da guerra empreendida pelos EUA e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde 2001 e consiste em um dos maiores vazamentos de documentos secretos da história americana.

 

Suspeito

 

Manning foi detido no final de maio depois que o hacker Adrian Lambo denunciou o analista por ter descarregado 260 mil documentos classificados e tê-los enviado ao WikiLeaks.

 

O Pentágono apresentou no dia 5 de julho oito acusações contra Manning, que é acusado, entre outras coisas, de ter vazado ao WikiLeaks um vídeo de um ataque aéreo americano no Iraque em julho de 2007.

 

Manning ainda não se pronunciou sobre sua culpabilidade ou inocência, porque ainda não foi decidido se haverá um julgamento sobre ele. Depois de ser detido, ele foi enviado a uma base militar no Kuwait, onde ainda permanece. O Exército está tentando investigar quais eram seus contatos.

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