EUA continuam em alerta e cogitam que haja mais pacotes-bomba

Artefatos explosivos viajaram em dois aviões de passageiros antes de serem interceptados

Efe,

31 de outubro de 2010 | 20h18

WASHINGTON- O governo dos Estados Unidos afirmou neste domingo, 31, que continua aberta a investigação para esclarecer o envio de dois pacotes-bomba do Iêmen e que estão em alerta perante a possibilidade de novos incidentes como os registrados na sexta-feira.

 

 

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"Seria muito imprudente da minha parte e da de outros na comunidade antiterrorista aqui e no exterior garantir que não há outros pacotes", declarou o assessor para a luta contra o terrorismo da Casa Branca, John Brennan, à rede CNN.

 

O governo americano está trabalhando com as provas de inteligência colhidas e por motivos de segurança foram interceptados todos os pacotes procedentes do Iêmen.

 

Por enquanto, nenhum grupo reivindicou o ato, mas as autoridades dizem que se trata da Al-Qaeda na Península Arábica, um braço da organização terrorista no Iêmen.

 

Tanto Brennan como a secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, asseguraram durante o fim de semana que o ocorrido tem "a marca" da Al-Qaeda.

 

Brennan disse hoje que a cooperação internacional permitiu interceptar no Reino Unido e nos Emirados Árabes os dois pacotes com explosivos procedentes do Iêmen destinados a duas sinagogas em Chicago, e insistiu que a operação está aberta.

 

"Vamos continuar perseguindo todas as possíveis pistas no caso de existirem outros artefatos", disse Brennan.

 

Os pacotes foram localizados em dois aviões de carga antes de chegar aos EUA. O primeiro em um avião da empresa UPS no aeroporto britânico de East Midlands, e o segundo em um contêiner da FedEx em uma aeronave que havia feito a rota Sanaa-Doha-Dubai.

 

Um porta-voz da companhia aérea Qatar Airways revelou hoje à CNN que o pacote da FedEx viajou em dois aviões de passageiros antes de ser interceptado, mas não especificou em quais voos, nem quantas pessoas viajaram com a bomba, escondida no cartucho de tinta de uma impressora.

 

A Agência de Segurança no Transporte (TSA) dos EUA interceptou todos os pacotes procedentes do Iêmen e as companhias UPS, FedEx e DHL deixaram de operar temporariamente.

 

Ainda não está claro se os pacotes, que segundo Brennan, foram feitos para causar "danos físicos", iam explodir em pleno voo ou ao chegar aos seus destinos.

 

"Estamos analisando as duas possibilidades", indicou em outra entrevista à CBS, "mas neste momento, concordamos com os britânicos que, aparentemente, seriam detonadas durante o voo".

 

A estudante de engenharia iemenita Hanan Mohamed al Samawi, de 22 anos, chegou a ser presa hoje e já está em liberdade após ter pago fiança em conexão com os pacotes, mas as autoridades não acreditam mais que ela seja responspável por ter enviado os artefatos.

 

Na mira das autoridades poderia estar o clérigo radical Anwar al Awlaki, nascido nos EUA e de origem iemenita, considerado um dos principais promotores e partidários da rede terrorista Al-Qaeda.

 

Quanto a pessoa que fabricou os explosivos, as autoridades acreditam que é a mesma que fez a bomba para o atentado fracassado no Natal passado em um voo de Amsterdã para Detroit.

 

Os três dispositivos continham PETN, utilizado como componente para explosões industriais. O autor, disse Brennan à rede de televisão ABC, é "alguém que tem treinamento e experiência e temos que encontrá-lo para levá-lo à justiça".

 

Fontes federais informaram à CNN que poderia se tratar de Ibrahim Hassan al-Asiri, um jovem de 28 anos incluído na lista dos terroristas mais procurados da Arábia Saudita, irmão de um terrorista suicida que tentou matar o príncipe Mohammed bin Nayef no ano passado, e que pode estar no Iêmen.

 

As autoridades também estão investigando a possível relação do ocorrido na sexta-feira com o acidente de um avião de carga americano que caiu em Dubai em setembro pouco após decolar.

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