EUA controlarão portos e aeroportos da Geórgia, diz presidente

Pentágono nega que Forças Armadas americanas assumirão o controle durante a missão humanitária no país

Agências internacionais

13 de agosto de 2008 | 14h10

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse nesta quarta-feira, 13, que a promessa do chefe de governo americano, George W. Bush de enviar uma equipe de ajuda humanitária ao país significa que o Exército dos Estados Unidos tomarão o controle dos portos e aeroportos da ex-república soviética. Porém, o Pentágono afirmou que o as Forças Armadas americana não pretendem assumir as instalações.   EUA enviarão Rice para mediar conflito Geórgia diz que russos violaram trégua; Moscou nega ocupação de Gori UE apóia envio de monitores para checar trégua Geórgia diz que russos avançam para Tbilisi Rússia inicia interrogatório de presos Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Bush declarou-se preocupado com a possibilidade de a Rússia ter violado o cessar-fogo com a Geórgia, mediado pela União Européia (UE), e anunciou o envio da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, primeiro a Paris e depois a Tbilisi para tentar solucionar a crise. Ele advertiu que o Kremlin está colocando em risco suas relações com os EUA e Europa.   "Vocês ouviram o pronunciamento do presidente americano de que os EUA começarão uma operação militar humanitária na Geórgia", "isto significa que os portos e aeroportos georgianos serão controlados pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos, para conduzir missões humanitárias e de outros tipos. Este comunicado é muito importante para aliviar a tensão", disse Saakashvili em um discurso televisionado.   O Pentágono rechaço o anúncio de Saakashvili. "Não estamos buscando, nem mesmo precisamos assumiu o controle de qualquer aeroporto ou porto para conduzir a missão", disse o secretário de imprensa Geoff Morrell.   Bush falou nos jardins da Casa Branca depois de uma reunião com seu Conselho de Segurança Nacional. Ele disse esperar que todas as forças russas retirem-se da Geórgia e que Moscou honre a trégua. "Esperamos que a Rússia cumpra seu compromisso de cessar todas as atividades militares na Geórgia", disse. Ele também manifestou apoio aos esforços diplomáticos franceses e pediu que a Rússia permita aos EUA e outros países a entrega de ajuda humanitária aos georgianos.   Segundo Bush, Condoleezza vai se reunir com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em Paris, e posteriormente com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, na capital do país, Tbilisi. Bush disse também que o secretário da Defesa, Robert Gates, liderará os esforços norte-americanos para fornecer ajuda humanitária e medicamentos para a Geórgia. Aviões americanos estão a caminho para entregar a ajuda e navios da Marinha vão partir em breve transportando suprimentos, disse. "Os Estados Unidos apóiam o governo democraticamente eleito da Geórgia e insistem em que a soberania e integridade territorial do país sejam respeitadas", afirmou Bush.   Mais cedo, numa entrevista à emissora de televisão americana CNN, Saakashvili queixou-se que os EUA usaram uma linguagem "suave demais" com a Rússia. "Algumas das primeiras manifestações de Washington foram percebidas pelos russos quase como um sinal verde porque a linguagem foi suave demais. Os russos não entendem esse tipo de linguajar suave", queixou-se o líder georgiano.   Trégua violada   Tanques russos voltaram a entrar na cidade georgiana de Gori, horas após Rússia e Geórgia estabelecerem uma trégua para suspender as operações militares. Veículos armados russos parecem ter desmantelado e destruído bases do Exército georgiano na cidade. Momentos depois da entrada em Gori, uma coluna de veículos blindados, incluindo transportadores de armas antiartilharia, foi vista deixando a cidade e tomando a rodovia principal que leva a Tbilisi.   Entretanto, a Rússia negou que os veículos estejam se dirigindo à capital da Geórgia. Um porta-voz das forças russas alegou que os militares estavam removendo equipamentos e munição de uma base militar georgiana fora da cidade. A movimentação expõe a fragilidade do cessar-fogo em vigor, segundo a BBC. Moradores fugindo de Gori disseram que saques e seqüestros estão acontecendo na cidade. Muitos contam ter visto suas casas sendo incendiadas. Uma nuvem de fumaça cobre o mercado principal. A situação poderia ser ainda mais crítica nas cidades ao redor.   Relatos implicariam rebeldes separatistas e tropas russas nos saques - em um comunicado, a Rússia negou qualquer envolvimento, afirmando que essas versões "não têm absolutamente nenhum fundamento".   O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta quarta-feira que suas forças derrubaram dois aviões teleguiados da Geórgia na capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. Um avião foi abatido na noite de terça-feira e outro na quarta-feira, disse um porta-voz do Ministério. "Apesar das garantias feitas pela Geórgia de que eles encerraram todas as atividades militares, as tropas russas derrubaram um segundo avião espião georgiano em Tskhinvali na manhã de hoje", disse o porta-voz.

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