Ahmed Al-Rubaye/AFP
Ahmed Al-Rubaye/AFP

EUA debatem envio de tropas contra EI

Tomada de Ramadi e de Palmyra representam revés para a estratégia americana, limitada a bombardeios aéreos contra jihadistas

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2015 | 15h53

À medida que se aproxima do primeiro aniversário do autoproclamado califado, o Estado Islâmico (EI) colecionou, na última semana, vitórias que colocaram em xeque a estratégia dos EUA. Internamente, o presidente Barack Obama viu crescer a pressão para que mude seus planos, restritos hoje aos bombardeios aéreos contra alvos dos jihadistas. 

Ainda que sem o apoio da opinião pública, a oposição subiu o tom e cobrou do presidente uma mudança de política. Na quinta-feira, em uma audiência da Comissão das Forças Armadas do Senado, presidida pelo veterano da Guerra do Vietnã e um dos ‘falcões’ republicanos John McCain, um painel de analistas concluiu que, do jeito que está, a estratégia dos EUA “está condenada ao fracasso”. 

Entre os analistas estava Frederick Kagan, um dos arquitetos da estratégia de reforço das tropas na Guerra do Iraque, em 2006. Ele defendeu que os EUA deveriam enviar agora, no mínimo, entre 15 e 20 mil soldados para o Iraque, para reverter as perdas da última semana. “Eu vejo uma estratégia coerente do inimigo (EI) pela região”, disse. 

Em entrevista ao Estado, o especialista em segurança e defesa do Brookings Institution, Michael O’Hanlon, disse que esses soldados deveriam atuar também na Síria. Após a tomada da cidade de Palmyra, na quarta-feira, o Estado Islâmico passou a dominar mais da metade do território sírio. 

“Isso (envio de soldados) é o que tem de ocorrer. Mas Obama é relutante e ele demora muito para mudar sua mente e políticas de governo”, disse O’Hanlon, que já trabalhou como analista de segurança para o Escritório de Orçamento do Congresso americano. 

Para os especialistas, o envio de tropas terrestres já não é mais uma opção e sim uma urgência, especialmente para evitar a tomada de Bagdá. No entanto, eles divergem sobre a origem desses soldados. 

O analista do Centro de Estudos da Eurásia da Universidade de Indiana, Jamsheed Choksy, defende que soldados de uma coalizão árabe e turca seriam mais eficientes. “Eles precisam lutar sua própria guerra”, disse ele ao Estado. “São os que melhor conhecem os territórios, a língua, têm a mesma religião. Aos EUA, cabem o apoio com os bombardeios aéreos e o treinamento de inteligência.”

Há uma semana, o EI conquistou a cidade de Ramadi, capital da Província de Anbar, e ficou às portas de Bagdá, a pouco mais de 100 quilômetros. Desde que declarou a criação de um califado abrangendo a Síria e o Iraque, no dia 29 de junho, o EI conquistou amplas áreas. O domínio sobre esses espaços praticamente se manteve intacto, apesar da intensa campanha de bombardeios. 

Agora, segundo analistas, Bagdá é o próximo alvo. Para O’Hanlon, essa sempre foi a ambição do EI. Além da capital iraquiana, Choksy diz que Damasco está entre as prioridades do grupo. Na contramão, Kirk Sowell analista de risco político em Amã e editor do site especializado Inside Iraqi Politics, acredita que o envio de soldados é um erro. 

Ramadi. Neste sábado, um comboio de milícias muçulmanas xiitas e tropas do Exército iraquiano partiram de uma base perto de Ramadi para avançar em direção a áreas controladas pelo Estado Islâmico, em uma contraofensiva para reverter o controle do grupo radical nessa região estratégica do Iraque./ COM EFE

Tudo o que sabemos sobre:
EIEstados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.