EUA decidem expulsar embaixador da Venezuela e crise aumenta

Os EUA aprofundaram nasexta-feira o embate diplomático travado atualmente com aVenezuela ao decidir expulsar o embaixador venezuelano deWashington e impor sanções contra assessores do presidente HugoChávez, como resposta à expulsão do embaixador norte-americanode Caracas. A crise e a ameaça de Chávez de interromper o envio depetróleo para os norte-americanos fizeram com que sedesvalorizassem os títulos de dívida do país e com que asrelações entre a superpotência e um de seus maioresfornecedores de combustível atingissem o pior patamar dosúltimos anos. Nesta sexta-feira, os EUA informaram ao governo daVenezuela que seu embaixador será expulso do territórionorte-americano e impuseram sanções contra dois assessores deChávez, incluindo o ex-ministro de Interior da Venezuela, RamónRodríguez, por supostamente ajudarem guerrilheiros naColômbia. "Lamentamos as ações tanto do presidente Hugo Chávez quantodo presidente (boliviano) Evo Morales, que expulsaram nossosembaixadores na Venezuela e na Bolívia. Isso reflete a fraquezae o desespero desses líderes ao lidar com desafios internos",disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano,Sean McCormack. A Venezuela possui algumas das maiores reservas depetróleo fora do Oriente Médio e, apesar dos desentendimentosentre Chávez e o atual governo dos EUA, o presidentevenezuelano sempre manteve o suprimento do combustível e nuncaantes havia expulsado um embaixador norte-americano. Chávez disse ter adotado a manobra de quinta-feira em apoioao presidente boliviano Evo Morales, um aliado esquerdistadele. Naquele país, violentos protestos antigoverno mataramoito pessoas até agora. A Bolívia e os EUA também expulsaram osembaixadores um do outro, nesta semana, depois de Morales teracusado o governo norte-americano de dar apoio à oposição. NOVO GOVERNO O "spread" entre os títulos da dívida venezuelana e ostítulo do Tesouro dos EUA -- considerado um indicador dapercepção de risco -- aumentou na sexta-feira de 41 pontos-basepara 765 pontos-base. Uma dilatação do "spread" corresponde auma maior percepção de risco da parte dos investidores. Chávez disse que não restabelecerá as relações com os EUAenquanto o presidente norte-americano, George W. Bush, nãodeixar a Casa Branca, em janeiro. "Quando houver um novo governo nos EUA, vamos enviar umnovo embaixador. Um governo que respeite os povos da AméricaLatina", afirmou o presidente, na noite de quinta-feira. Gianfranco Bertozzi, um analista da Lehman Brothersencarregado de avaliar como o risco político na Venezuela podeafetar os títulos da dívida pública do país, afirmou ainvestidores que o mercado estava reagindo de forma exageradaàs manobras diplomáticas. Segundo Bertozzi, não houve nenhumamedida no setor petrolífero. "Essa expulsão deve vigorar de fato até a chegada de umoutro governo. E faltam 53 dias para a eleição. Nessemeio-tempo, o petróleo continuará a ser enviado. Os mercados,no entanto, parecem agitados devido à escalada dos riscos",escreveu o analista. "Duvidamos, no entanto, que haja qualquer tipo de escalada.De toda forma, esse conflito superficial deve prorrogar-se atéa posse de um novo governo (nos EUA)."

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