EUA descartam base permanente no Afeganistão

Novo embaixador americano em Cabul disse que forças permanecerão enquanto forem necessárias

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

25 de julho de 2011 | 08h36

CABUL - Os Estados Unidos não têm interesse em criar bases militares no Afeganistão e não pretendem transformar o país em uma plataforma para influenciar nações vizinhas, disse na segunda-feira, 25, o novo embaixador norte-americano em Cabul.

EUA e Afeganistão estão negociando a definição do papel norte-americano em longo prazo no país, depois da retirada das tropas de combate estrangeiras, no final de 2014.

Ainda não se sabe se o acordo de "parceria estratégica" contemplaria explicitamente a possibilidade de os EUA instalarem bases militares no Afeganistão depois de 2014. O presidente afegão, Hamid Karzai, já disse que essa hipótese só poderá ser tratada quando o seu país tiver paz.

"Não temos interesse em bases permanentes no Afeganistão", disse o embaixador Ryan Crocker, logo depois de tomar posse na embaixada dos EUA em Cabul, e num aparente aceno aos poderosos e preocupados vizinhos do Afeganistão. "Vamos permanecer enquanto precisarmos, e nem um dia a mais."

O Afeganistão tem relações complexas com o Paquistão e o Irã, que consideram o país como sendo vital para a sua própria segurança e temem os esforços dos EUA para reduzir a influência de Islamabad e Teerã junto a Cabul. China e Rússia, por sua vez, veem com receio as ambições dos EUA na Ásia Central.

Mas, apesar dos bilhões de dólares despejados na formação das forças afegãs, os problemas enfrentados por elas - do analfabetismo à corrupção - sugerem que deverá ser mantido algum tipo de apoio militar depois de 2014, mesmo que as tropas estrangeiras não estejam mais na linha de frente.

Os EUA também podem se interessar por manter bases para atacar alvos nas áreas tribais paquistanesas, suposto reduto de militantes islâmicos. Uma base afegã já foi usada em maio na ação militar que resultou na morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, segundo analistas.

Mas Crocker disse que os EUA não têm intenções ocultas. "Não temos interesse em usar o Afeganistão como plataforma para projetar influência a países vizinhos", disse ele. "Nosso único interesse é na segurança e na estabilidade sustentável do Afeganistão, e em assegurar que ele nunca mais se torne um refúgio para o terrorismo internacional."

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