EUA detêm mais de 500 menores no Iraque e no Afeganistão

Nações Unidas afirmam que jovens de até 18 anos são suspeitos de serem "combatentes inimigos ilegais"

Agência Estado e Associated Press,

19 de maio de 2008 | 13h42

As forças militares dos Estados Unidos mantêm cerca de 500 menores de idade suspeitos de serem "combatentes inimigos ilegais" em centros de detenção no Iraque. Também há cerca de dez detidos na base norte-americana de Bagram, no Afeganistão, informaram os EUA à Organização das Nações Unidas (ONU). Ao todo, 2.500 jovens menores de 18 anos foram detidos, quase todos no Iraque, por períodos de até um ano ou mais como parte da campanha antiterror do presidente norte-americano, George W. Bush, desde 2002. O país reportou o fato na semana passada ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU. Grupos que lutam pelas liberdades civis, como a Rede Internacional de Justiça e a União Americana pelas Liberdades Civis, denunciaram as detenções. Segundo eles, trata-se de uma violação de obrigações assumidas pelos Estados Unidos. Em um relatório às Nações Unidas, o país reconhece que "em abril de 2008 os Estados Unidos mantinham detidos cerca de 500 jovens no Iraque". Eles foram presos por estarem realizando "atividade contra a coalizão, como implantar artefatos explosivos improvisados, operando como 'olheiros' para os insurgentes ou ativamente engajados em combater as forças dos EUA e da coalizão". A maioria deve ter entre 16 e 17 anos. Nos Estados Unidos, uma pessoa com 17 anos pode se alistar no Exército, caso tenha o consentimento dos pais. Segundo o documento, dos 2.500 jovens já mantidos presos no Iraque, apenas 100 foram detidos no próprio país. A grande maioria foi detida no Afeganistão. Oito jovens chegaram a ser mantidos na prisão da Baía de Guantánamo, mas todos foram liberados entre 2004 e 2006. "É chocante para mim que o governo dos Estados Unidos não tenha encontrado uma forma de manter as crianças fora das prisões de adultos. É ultrajante", disse Tina Foster, diretora-executiva da Rede Internacional de Justiça. Segundo ela, os Estados Unidos se recusam a divulgar os nomes dos detidos no Afeganistão. A Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança foi adotada pela Assembléia-Geral da ONU em 1989. Na ocasião, recebeu apoio do governo norte-americano. A ex-primeira-dama Hillary Clinton é uma entusiasta do documento.

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