EUA devem reavaliar relação com Rússia, diz Gates

Secretário de Defesa afirma que Moscou retoma passado autoritário; Rice pede que cessar-fogo seja cumprido

Agência Estado e Associated Press,

17 de agosto de 2008 | 13h03

A Rússia mostra sinais de retomada do seu passado autoritário e a invasão da Geórgia vai exigir que os EUA reavaliem a relação estratégica entre as superpotências, afirmou o Secretário de Defesa americano, Robert Gates, neste domingo, 17. Seguindo a mesma retórica, a secretaria de Estado Condoleezza Rice acusou o presidente russo Dmitry Medvedev de não honrar com a promessa de retirada das tropas da Geórgia pelos termos do cessar-fogo que assinou no sábado. "Eu espero que dessa vez ele mantenha a sua palavra", disse Rice após Medvedev ter anunciado o início da retirada na segunda-feira.   Veja também: Rússia começa retirada de tropas da Geórgia na segunda Um miliciano mirou o fuzil no meu peito e pulei na estrada", diz correspondente do Estado  Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   As sombras da Guerra Fria surgem ao passo que a administração Bush luta por uma resposta apropriada para a agressão da Rússia contra seu vizinho menor, que Moscou comandou por mais de dois séculos antes da separação da União Soviética, em 1991. "Há uma preocupação real de que a Rússia esteja se voltando para o passado ao invés de para o futuro", diz Gates. "O fato é que trabalhamos pesado para trazê-los (os russos) para a comunidade das nações. Pensamos que eles estavam seguindo nessa direção", ele acrescentou. "Agora temos de reavaliar tudo isso".   Segundo Rice, Medvedev havia prometido quando o presidente da Geórgia assinou o cessar-fogo que as forças russas iriam dar início ao processo de retirada. Mas isso não aconteceu. "A Rússia atualmente não está cumprindo com o cessar-fogo", disse Rice. "Não tenho uma explicação porque eu pensaria que quando o presidente russo diz que a assinatura de um acordo de cessar-fogo significaria a retirada das forças russas, as forças russas então iriam então deixar o país. Eles não foram embora. No entanto, de novo, o presidente russo deu a sua palavra e dessa vez espero que ele a honre".   O conflito na região teve início depois que a Geórgia lançou um ataque massivo em 7 de agosto, para tentar assumir o controle da província separatista da Ossétia do Sul. O exército russo rapidamente dominou as forças da Geórgia e deu início a uma incursão no país, levantando temores de uma ocupação russa de longo prazo. "Se a Rússia pensou que seria capaz de derrotar o Estado da Geórgia, derrubando instituições democráticas, ela falhou", disse Rice. "O que eles fizeram ao invés disso, destruiu a reputação da Rússia como uma potencial - e gostaria de enfatizar - potencial parceira no sistema internacional".   Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que a Georgia poderia "esquecer" de retomar as províncias separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, que simpatizam com Moscou. O presidente dos EUA George W. Bush disse ao longo do final de semana que as fronteiras da Geórgia precisam ser respeitadas. Para Gates, "ninguém deveria tentar forçá-los a retomar um relacionamento total com a Geórgia". As negociações deveriam estabelecer seu status, diz ele, ao invés de um destino "imposto pela força militar russa".   Rice se prepara para seguir para a Bélgica nessa semana, onde se reunirá com ministros do Exterior dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e membros da União Européia (UE) para demonstrar apoio a Geórgia. Atualmente, os EUA apóiam os esforços da Geórgia e de uma segunda ex-república soviética, a Ucrânia, para se juntar a Otan.

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