EUA devem suspender em breve proibição de contatos com Irã

O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, deve relaxar em breve as restrições contra contatos entre autoridades dos EUA e do Irã, disse uma fonte próxima ao assunto, que pediu anonimato por ainda não haver definição sobre o assunto.

SUE PLEMING, REUTERS

18 de março de 2009 | 22h06

De acordo com essa fonte, porém, a ideia do governo Bush de abrir uma representação diplomática em Teerã por enquanto está "fora da mesa."

O plano é fazer gestos pequenos, mas significativos, incluindo um convite para que o Irã participe de uma conferência sobre o Afeganistão neste mês, e permitir que diplomatas dos EUA visitem autoridades iranianas sem antes terem de pedir aprovação do governo norte-americano, como ocorre há quase 30 anos.

"Esses contatos podem ser em todas as categorias", disse a fonte, acrescentando que a revisão do assunto ainda não foi concluída e que o presidente Barack Obama ainda não assinou nada.

Fontes diplomáticas e analistas dizem que o fim dessas restrições para contatos de baixo e médio escalão tem sido discutido há algum tempo, e que a medida é vista como um primeiro passo para um envolvimento de mais alto nível.

Os EUA romperam relações com o Irã durante o sequestro de 52 funcionários diplomáticos na embaixada norte-americana em Teerã, que durou 444 dias.

No ano passado, o encarregado de assuntos iranianos no Departamento de Estado se reuniu com seu homólogo como parte de discussões multilaterais a respeito do programa nuclear da República Islâmica. A reunião só foi aprovada após muito debate dentro do governo Bush.

Também houve reuniões entre os embaixadores dos EUA e do Irã no Iraque, e contatos acerca do Afeganistão.

O governo Bush chegou a cogitar a abertura de uma seção de interesses em Teerã, como existe em Cuba, mas decidiu deixar a questão em aberto para seu sucessor.

Uma seção de interesses é uma espécie de embaixada na ausência de relações diplomáticas entre dois países, e tê-la significaria a presença de diplomatas norte-americanos em Teerã pela primeira vez em 30 anos.

Diplomatas e a fonte familiarizada com as discussões disseram que o governo Obama deve concluir a revisão da situação nas próximas semanas, mas não cogita mais abrir a seção de interesses.

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