EUA devolvem quartel e palácios em Bagdá ao controle do Iraque

Militares dos EUA devolveram nesta sexta-feira ao governo do Iraque o seu maior quartel no país, que fica perto do aeroporto de Bagdá e abrigou o centro norte-americano de operações bélicas, além de ter sido o local onde Saddam Hussein ficou preso antes de ser executado.

JIM LONEY, REUTERS

02 de dezembro de 2011 | 10h03

A entrega do Complexo da Base Vitória, cercado por 42 quilômetros de muralhas e arame farpado, representa um marco importante na retirada militar dos EUA, após quase nove anos de ocupação. O contingente norte-americano no Iraque, que chegou a ser de 170 mil militares, hoje é de apenas 12 mil, a serem retirados neste mês - à exceção de cerca de 200 soldados, que ficarão como adidos militares na embaixada dos EUA.

Por email, um porta-voz militar dos EUA disse que desde a manhã desta sexta-feira (hora local) o Complexo da Base Vitória "está sob total autoridade do governo do Iraque".

O quartel chegou a abrigar 42 mil soldados dos EUA e 20 mil funcionários de apoio. Os comandantes militares norte-americanos no Iraque - inclusive o atual, general Lloyd Austin - viviam em uma mansão de Saddam dentro da base, um imóvel de 20 cômodos e 2.300 metros quadrados, que em outros tempos recebeu hóspedes como o rei Hussein, da Jordânia.

Autoridades dos EUA dizem que Saddam construiu uma rede de palácios e mansões no terreno da base, além de um complexo de lagos. Um dos palácios se chamava "Vitória sobre a América", aludindo à guerra do Golfo (1991); o outro, "Vitória sobre o Irã", por causa do conflito com o país vizinho (1980-88).

O centro de comando dos EUA era o palácio Al Faw, com 41,8 mil metros quadrados e 62 cômodos, incluindo 29 banheiros. A arquitetura do edifício é inspirada no palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, e a decoração é de móveis rústicos franceses.

As autoridades dos EUA dizem que estão deixando no local uma enorme cadeira dourada - uma espécie de trono - dada a Saddam pelo líder palestino Yasser Arafat.

Depois de ser capturado, Saddam passou cerca de dois anos preso numa cela de segurança máxima construída dentro dos destroços de uma mansão bombardeada, e que no passado era usada por forças de segurança comandadas por seu filho Uday, segundo autoridades dos EUA.

O "Prédio 114", como era chamado, ficava em uma pequena ilha lacustre. Ali Hassan al Majeed, vulgo Ali Químico, braço-direito de Saddam, também ficou preso lá até ser executado.

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