EUA dizem que especulação de ataque ao Irã é absurda

O coordenador do Departamento deEstado dos Estados Unidos para o Iraque disse na quinta-feiraque Washington continua buscando formas de pressionar o Irã asuspender seu programa nuclear, mas que especular sobre umaação militar é absurdo. Washington acusa Teerã de fornecer verbas, armas etreinamento para milícias xiitas do Iraque, de desenvolverarmas nucleares secretamente e de apoiar o terrorismo em todo oOriente Médio -- acusações que a República Islâmica rejeita. "Estamos examinando como melhor reprimir taiscomportamentos", disse David Satterfield, que recentemente setornou um dos principais diplomatas norte-americanos paraquestões do Iraque. O governo Bush avalia várias ações unilaterais contra oIrã, como sanções à Força Quds, que é parte da GuardaRevolucionária do Irã, segundo fontes de primeiro escalão dogoverno. Satterfield não quis dar detalhes sobre futuras ações dosEUA, mas em entrevista à Reuters ele declarou que o presidenteGeorge W. Bush tem "amplas autoridades a esse respeito". O Irã, por sua vez, culpa os EUA pela violência que tomaconta do Iraque, mais de quatro anos depois da invasão quederrubou o regime de Saddam Hussein. Além disso, o país garanteque seu programa nuclear é voltado exclusivamente para ageração de eletricidade com fins civis. Washington e Teerã romperam relações em 1980, quandoestudantes iranianos, militantes da então recente RevoluçãoIslâmica, invadiram a embaixada dos EUA e mantiveram 52norte-americanos como reféns durante 444 dias. Satterfield negou que o governo Bush esteja examinando commais atenção a possibilidade de ação militar. Com 169 milsoldados atualmente no Iraque, as opções militares dos EUA sãoum pouco limitadas, mas há relatos de que mesmo assim há planossendo analisados. "Acho isso absurdo, essa conversa de bater de sabre, tocartambores da guerra", disse Satterfield. "Os que argumentam queestamos deliberadamente escalando uma confrontação com o Irãestão bastante enganados." No que foi visto como um conjunto de sinais ao Irã, os EUAenviaram neste ano, em caráter temporário, um segundoporta-aviões para o golfo Pérsico e anunciaram planos de venderbilhões de dólares em armas para Israel, Arábia Saudita eoutros países da região. Embora não descartem nenhuma possibilidade -- inclusive amilitar -- os EUA dizem repetidamente estarem buscando asolução diplomática. Washington negocia com outras potências a aprovação de umterceiro pacote de sanções do Conselho de Segurança da ONU paratentar obrigar o Irã a suspender seu programa de enriquecimentode urânio.

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