EUA dizem que são necessários mais soldados no Afeganistão

Maior contingente deverá conter retomada da insurgência; número de oficiais a ser enviado é desconhecido

Agência Estado e Associated Press,

15 de setembro de 2009 | 14h38

O almirante Mike Mullen, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, disse nesta terça-feira, 15, que a conquista da vitória no Afeganistão provavelmente vai significar o envio de mais soldados americanos ao país.

 

Mullen disse ao Comitê de Serviços Armados do Senado que os esforços para conter a insurgência do Taleban vai "provavelmente significar mais forças". Ele fez a declaração durante a audiência para sua nomeação, pela segunda vez, no cargo de conselheiro militar do presidente.

 

O presidente do comitê, o senador democrata Carl Levin, usou a audiência para destacar sua oposição ao envio de mais soldados, pelo menos até que os Estados Unidos tomem atitudes mais concretas para expandir as forças armadas afegãs.

 

"Fornecer os meios necessários para que o Exército afegão e a polícia afegã tornem-se autossuficiente demonstraria nosso compromisso com o sucesso da missão, que é de interesse de nossa segurança nacional, ao mesmo tempo que evitaria os riscos associados a um novo aumento de tropas de combate americanas", disse Levin.

 

Levin é um dos vários líderes democratas que expressaram ceticismo nos últimos dias sobre o envio de mais soldados americanos. Ele quer, primeiramente, se certificar de que um maior número de forças de segurança afegãs são treinadas e enviadas para os campos de batalha e para as comunidades afegãs.

 

Mullen disse aos senadores que "é muito claro para mim que precisamos de mais recursos" para tornar mais eficiente a estratégia de contra insurgência que Obama divulgou no início deste ano. Ele disse que não sabe quantos soldados seriam pedidos pelo comandante geral no Afeganistão, general Stanley McChrystal.

 

O principal republicano do comitê, senador John McCain, disse que enviar poucos soldados para a guerra pode representar os mesmos erros cometidos pelos Estados Unidos no Iraque. "Eu vi este filme antes", disse McCain.

 

O senador independente Joseph Lieberman afirmou que os afegãos não vão entender se os Estados Unidos apenas se comprometerem a enviar especialistas em treinamento em vez de mais tropas de combate.

 

Mullen parece cada vez mais aborrecido com as perspectivas da guerra, que em breve completará oito anos. Nesta terça-feira, ele disse que a guerra vai continuar a se deteriorar sem um novo comprometimento dos Estados Unidos. Mullen afirmou também que o general McChrystal encontrou condições piores do que esperava quando assumiu o cargo. Os Estados Unidos tem cerca de 65 mil soldados no Afeganistão atualmente e alguns milhares de militares responsáveis por treinamento devem chegar ao país até o final do ano.

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