EUA dizem ter prova de vínculo de Chávez com as Farc

As ligações do presidente daVenezuela, Hugo Chávez, com a guerrilha colombiana Farc sãomais profundas do que se pensava, disse uma fonte dainteligência dos EUA na sexta-feira, depois de analisararquivos em computadores de um dirigente rebelde morto emmarço. De acordo com essa fonte, os arquivos parecem autênticos ereforçam a preocupação dos EUA com Chávez. Sua descobertaalimentou especulações de que Washington colocaria a Venezuelana lista de países que patrocinam o terrorismo. "[A análise] reforça a forte posição do governo dos EUA deque Chávez está tentando de várias formas projetar suainfluência por toda a região, e essa influência de algumasmaneiras poderia ser interpretada como desestabilizadora",disse o funcionário, que pediu anonimato. Chávez alega que o governo colombiano falsificou osarquivos, que comprovariam uma suposta ajuda financeira deCaracas à guerrilha -- o que o líder esquerdista nega, emboranão esconda sua simpatia pelas Farc. O Wall Street Journal disse na sexta-feira que os arquivostambém indicam que a Venezuela ofereceu armas às Farc,provavelmente granadas de propulsão e mísseis terra-ar, além defranquear um porto para que a guerrilha recebesse outroscarregamentos de armas. A fonte de inteligência disse à Reuters que "os documentosfornecidos pelo governo colombiano parecem ser autênticos" emostram "uma relação mais profunda do que se sabiapreviamente". Os computadores foram apreendidos em março pela Colômbiadurante uma ação militar contra um acampamento da guerrilha emterritório equatoriano, o que provocou uma crise regional. A fonte norte-americana disse que esses e outros ataquesdeixaram as Farc em situação precária, mas "eles jádemonstraram no passado a capacidade de se reagrupar e renegarsuas lideranças". Bernardo Alvarez, embaixador da Venezuela nos EUA, disse ementrevista ao Journal na quarta-feira que os arquivosinformáticos são falsos, "uma tentativa de desacreditar ogoverno venezuelano". De acordo com o Journal, os arquivos indicam que Caracaschegou a cogitar a preparação de um plano conjunto de defesacom as Farc e solicitou um treinamento básico em técnicas deguerrilha, possivelmente como preparativo contra uma eventualinvasão norte-americana na Venezuela. (Reportagem de Randall Mikkelsen, na Base Naval deGuantánamo, Cuba, e David Morgan, em Washington)

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