EUA e América Latina perdem guerra contra drogas, diz relatório

Os Estados Unidos e os países daAmérica Latina estão perdendo a batalha contra o narcotráfico,já que o comércio de entorpecentes está se disseminando portodo o continente, revelou um relatório divulgado naquinta-feira. Segundo estudo do centro de investigação InternationalCrisis Group (ICG), com base em Washington, as políticas para aredução da produção de drogas ilícitas não atingiram oresultado esperado nos últimos anos. "As políticas atuais fracassaram e não há uma redução naquantidade de cocaína que chega aos mercados dos Estados Unidose da Europa", disse Mark Schneider, vice-presidente do ICG,durante um evento no Diálogo Interamericano. O estudo mostrou que não só a produção de coca na Bolívia,Colômbia e Peru continuou estável "em alto nível" entre 2004 e2006, como chegou a um nível recorde em 2007. Além disso, ele afirmou que as organizaçõesnarcotraficantes e as redes de distribuição "varejistas" nospaíses ricos não têm sido controladas, e essas quadrilhas estãobuscando novas rotas em países como Venezuela e Haiti parachegar ao mercado consumidor. Pior ainda, apontou Schneider, também cresceu o consumo decocaína em toda a América Latina. O aumento foi percebido principalmente no Brasil, oterceiro mercado consumidor de drogas ilícitas, depois dosEstados Unidos e da Europa. Mas o consumo também cresceu naArgentina, no Chile e no México, indicou o relatório. A recente crise regional, causada pelo ataque colombiano àsFarc no Equador, é um sinal de que o tema do narcotráfico emregiões fronteiriças tende a complicar-se ainda mais,considerando as relações do grupo com a produção de coca. "A recente disputa entre Colômbia, Venezuela e Equador, queaparentemente foi resolvida com diplomacia, deve complicar acooperação fronteiriça", afirmou o documento. Desde 2000, os Estados Unidos já gastaram mais de 5 bilhõesde dólares com o "Plano Colômbia", criado para ajudar o país aconter o narcotráfico e a guerrilha. De acordo com o relatório, o plano ajudou a diminuir aviolência na Colômbia, onde são produzidos cerca de 90 porcento da coca da região, mas não conseguiu reduzir a produçãode cocaína. Mas cortar a produção não basta para resolver o problema."Estados Unidos e Europa têm de se esforçar mais para reduzir asua demanda", disse o analista. "Enxergar os usuários de cocaína como um problema criminalé um erro. Temos de encará-los como pessoas com problemas desaúde crônicos. É preciso buscar uma perspectiva de saúdepública", acrescentou.

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