EUA e China retomam diálogo militar, diz Pentágono

A China e os Estados Unidos estão retomando o diálogo militar de alto nível e devem manter pelo menos mais dois contatos neste ano, informou na quarta-feira o Pentágono.

PHIL STEWART, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 19h22

A China havia suspendido neste ano os intercâmbios militares com os Estados Unidos em represália à possível venda de armas norte-americanas a Taiwan.

Um porta-voz do Pentágono disse que funcionários dos dois países devem se reunir nos dias 14 e 15 de outubro no Havaí para discutir um acordo marítimo, e que ainda neste ano haverá discussões consultivas de defesa em alto escalão, em Washington.

Contatos de escalão inferior devem ser retomados também, de acordo com o porta-voz, coronel Dave Lapan.

A retomada dos contatos ocorre depois de uma visita a Pequim, nesta semana, do subsecretário-assistente de Defesa dos Estados Unidos para a Ásia Oriental, Michael Schiffer.

"A intenção era ter uma conversa sobre como revigorar e colocar num caminho normal os nossos intercâmbios militares", disse Lapan.

Uma fonte oficial de defesa da China disse na quarta-feira à imprensa do seu país que os contatos militares seriam retomados "num momento não especificado do futuro."

As relações entre Washington e Pequim têm sofrido atritos por causa da venda de armas a Taiwan, das políticas da China para a Internet, da repressão no Tibete e das reivindicações territoriais chinesas no mar do Sul da China.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China, que chegou a 226,9 bilhões de dólares em 2009, contribui com as tensões bilaterais.

Pequim também viu com maus olhos os recentes exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul na região, embora Washington tenha alegado que as manobras tinham como alvo a Coreia do Norte.

Em junho, a China recusou uma visita do secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, que tentaria uma reaproximação. Lapan disse que a visita voltou a ser discutida nesta semana. "Nenhuma decisão foi tomada, mas vemos algo sobre isso no futuro", afirmou o porta-voz.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard, em Pequim)

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