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EUA e Índia devem reforçar cooperação com acordo militar

Durante visita, secretária de Estado deve assinar pacto que permitirá venda de armamento sofisticado ao país

Reuters e Efe,

20 de julho de 2009 | 08h56

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, espera firmar nesta segunda-feira, 20, um importante pacto de defesa com a Índia que permitirá a venda de armamento sofisticado para a nação asiática, segundo afirmaram três altos funcionários do governo americano.

 

Se tudo sair como esperando, Hillary sairá de Mumbai com dois acordos multimilionários. Um deles é o pacto militar. Empresas americanas como Lockheed Martin e Boeing tentam negociar 126 caças de combate que a Índia planeja comprar, frente a outras empresas europeias. O outro é a construção de duas centrais nucleares por empresas americanas em solo indiano. Além disso, espera-se a assinatura de um contrato prevendo que os EUA vendam armamento de última geração para a Índia, incluindo a supervisão americana do uso que Nova Délhi para deste armamento e prevenindo que a tecnologia não seja revelada para outros países.

 

"Queremos ampliar e intensificar nossas relações estratégicas" e alcançar mais posições comuns com a Índia, afirmou a chefe da diplomacia para centenas de estudantes e professores na Universidade de Nova Délhi. Hillary disse ainda que anunciará durante a visita ao país um enfoque mais amplo nas relações entre os dois países, incluindo negociações sobre segurança energética, reforma agrícola, educação e na luta contra o terrorismo.

 

Os oficiais americanos, que falaram sob anonimato com a agência Reuters, afirmaram que o acordo de defesa não tinha sido finalizado até o final da noite de domingo, mas que deve ser assinado nesta segunda-feira. A viagem de Hillary, que começou com uma passagem de dois dias por Mumbai, reflete o empenho da administração Obama em incentivar a melhora nas relações com a Índia, iniciado há mais de uma década. O comércio entre os dois países duplicou desde 2004.

 

Índia e Paquistão

 

A secretária de Estado americana defendeu a necessidade de um diálogo entre a Índia e o Paquistão, cujos governos deram recentemente passos para retomar as conversas, após a suspensão ocorrida depois dos atentados em Mumbai. Em seu segundo dia de visita em Nova Délhi, Hillary recebeu do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, detalhes da reunião que manteve na semana passada com o chefe do Governo paquistanês, Yousuf Raza Gilani, durante a cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), no Egito. O encontro abriu o caminho para a retomada do "diálogo integral" que os dois Estados começaram em 2004, o que foi recebido com indignação pela oposição indiana, liderada pela legenda Bharatiya Janata Party (BJP).

 

Depois de se reunir com Singh, com quem almoçou em sua residência, Hillary também se reuniu com o líder do BJP, L.K. Advani, que lhe expressou seu otimismo pelo futuro das relações entre Índia e EUA, e sua preocupação com o terrorismo com origem no Paquistão. Advani reclamou que a declaração conjunta assinada por Singh e Gilani no Egito representa uma ruptura do "consenso nacional" entre os partidos indianos alcançado após o ataque a Mumbai em novembro de 2008.

 

Desde que começou sua visita à Índia, em Mumbai, Hillary defendeu o diálogo entre as duas potências nucleares asiáticas, e voltou a fazer isso em discurso perante estudantes da Universidade de Délhi. A secretária americana lembrou aos estudantes que, inclusive durante a Guerra Fria, seu país e a União Soviética mantiveram canais de diálogo abertos. "Nossos líderes nunca deixaram de falar, iam a cúpulas. Nossos diplomatas buscaram formas de evitar uma guerra nuclear", lembrou a secretária de Estado, para declarar que acredita firmemente no diálogo. "Isso não quer dizer que tenham que abandonar seus princípios, seus valores, sua segurança, mas, falando, talvez seja possível fazer algum progresso", sugeriu.

 

Hillary reiterou o "compromisso" mostrado nos últimos meses pelo Paquistão em sua luta contra o terrorismo, como exigia a Índia, que acusou pelo atentado de Mumbai o grupo caxemiriano com base em solo paquistanês Lashkar-e-Taiba.

 

Americano sequestrado

 

Hillary afirmou ainda que fará o possível para encontrar e libertar o soldado americano capturado no Afeganistão. No domingo, o Pentágono confirmou a autenticidade das imagens de Bowe Bergdahl, de 23 anos, que foi sequestrado por militantes do Taleban há cerca de três semanas no Afeganistão. O vídeo foi divulgado na véspera no site YouTube e pela rede de TV árabe Al-Jazira. Bergdahl foi visto pela última vez no dia 30 de junho deixando sua base, próxima à fronteira com o Paquistão, junto com três soldados iraquianos. Três dias depois, fontes ligadas ao Exército dos EUA disseram ter interceptado conversas telefônicas nas quais insurgentes diziam ter um americano como refém.

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