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EUA e Índia reforçam cooperação com acordo militar

Secretária de Estado assina pacto que permitirá venda de armamento e construção de duas usinas nucleares

20 de julho de 2009 | 12h58

Índia e os Estados Unidos fecharam nesta segunda-feira um pacto de defesa que elevará as vendas de armas americanas para o país asiático, anunciou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Ao mesmo tempo, Nova Délhi aprovou os locais de instalação de dois novos reatores nucleares americanos, prosseguiu a chanceler, que realiza visita oficial à Índia.

 

Na solenidade de assinatura, Hillary declarou que os acordos refletem o fortalecimento das relações entre os dois países. Hillary fez o anúncio em Nova Délhi, acompanhada do ministro das Relações Exteriores da Índia S. M. Krishna. Segundo o acordo, a Índia se compromete a respeitar a legislação americana sobre a venda de armas, que proíbe que os países comprem material de defesa dos EUA transfiram a tecnologia militar para terceiros. Hillary disse ainda que foi aprovada a construção de duas usinas nucleares de empresas americanas em solo indiano.

 

A Índia deve gastar mais de US$ 30 bilhões nos próximos cinco anos para aprimorar seu arsenal militar da era soviética, incluindo a compra de 126 caças. O acordo pode facilitar as negociações das empresas americanas Lockheed Martin Corp e Boeing, que concorrem com empresas europeias.

 

Segundo a secretária de Estado, foi aprovado ainda a reserva de dois terrenos em território indiano para que companhias americanas construam duas centrais nucleares, parte do acordo de cooperação atômica assinado entre os dois países no ano passado. O governo americano estima que as usinas representem lucros de US$ 10 bilhões para empresas construtoras de reatores nucleares, como a General Electric e a Westinghouse Electric.

 

Índia e Paquistão

 

A secretária de Estado americana defendeu a necessidade de um diálogo entre a Índia e o Paquistão, cujos governos deram recentemente passos para retomar as conversas, após a suspensão ocorrida depois dos atentados em Mumbai. Em seu segundo dia de visita em Nova Délhi, Hillary recebeu do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, detalhes da reunião que manteve na semana passada com o chefe do Governo paquistanês, Yousuf Raza Gilani, durante a cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), no Egito. O encontro abriu o caminho para a retomada do "diálogo integral" que os dois Estados começaram em 2004, o que foi recebido com indignação pela oposição indiana, liderada pela legenda Bharatiya Janata Party (BJP).

 

Depois de se reunir com Singh, com quem almoçou em sua residência, Hillary também se reuniu com o líder do BJP, L.K. Advani, que lhe expressou seu otimismo pelo futuro das relações entre Índia e EUA, e sua preocupação com o terrorismo com origem no Paquistão. Advani reclamou que a declaração conjunta assinada por Singh e Gilani no Egito representa uma ruptura do "consenso nacional" entre os partidos indianos alcançado após o ataque a Mumbai em novembro de 2008.

 

Desde que começou sua visita à Índia, em Mumbai, Hillary defendeu o diálogo entre as duas potências nucleares asiáticas, e voltou a fazer isso em discurso perante estudantes da Universidade de Délhi. A secretária americana lembrou aos estudantes que, inclusive durante a Guerra Fria, seu país e a União Soviética mantiveram canais de diálogo abertos. "Nossos líderes nunca deixaram de falar, iam a cúpulas. Nossos diplomatas buscaram formas de evitar uma guerra nuclear", lembrou a secretária de Estado, para declarar que acredita firmemente no diálogo. "Isso não quer dizer que tenham que abandonar seus princípios, seus valores, sua segurança, mas, falando, talvez seja possível fazer algum progresso", sugeriu.

 

Hillary reiterou o "compromisso" mostrado nos últimos meses pelo Paquistão em sua luta contra o terrorismo, como exigia a Índia, que acusou pelo atentado de Mumbai o grupo caxemiriano com base em solo paquistanês Lashkar-e-Taiba.

 

Americano sequestrado

 

Hillary afirmou ainda que fará o possível para encontrar e libertar o soldado americano capturado no Afeganistão. No domingo, o Pentágono confirmou a autenticidade das imagens de Bowe Bergdahl, de 23 anos, que foi sequestrado por militantes do Taleban há cerca de três semanas no Afeganistão. O vídeo foi divulgado na véspera no site YouTube e pela rede de TV árabe Al-Jazira. Bergdahl foi visto pela última vez no dia 30 de junho deixando sua base, próxima à fronteira com o Paquistão, junto com três soldados iraquianos. Três dias depois, fontes ligadas ao Exército dos EUA disseram ter interceptado conversas telefônicas nas quais insurgentes diziam ter um americano como refém.

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