T Mughal/Efe
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EUA e Paquistão temem que Taleban se aproveite de inundação

População afetada precisa de ajuda imediata e pode não se importar com sua origem

ALISTAIR SCRUTTON, REUTERS

19 de agosto de 2010 | 20h16

ISLAMABAD- O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e o influente senador norte-americano John Kerry alertaram nesta quinta-feira, 19, que insurgentes do Taleban estão tentando se aproveitar da insatisfação popular depois das piores inundações na história paquistanesa.

Mais de 4 milhões de paquistaneses ficaram desabrigados em quase três semanas de inundações, disse a ONU hoje. Ao todo, 8 milhões de pessoas precisam urgentemente de ajuda, e muitas podem não se importar com a origem desse auxílio.

As águas começaram a varrer aldeias, estradas e pontes justamente quando o governo havia conseguido progressos na estabilização do Paquistão, por meio de ofensivas contra o Taleban.

O combate à insurgência islâmica já contribuía com a impopularidade de Zardari, que se agravou depois da confusa reação do governo às inundações. Enquanto isso, entidades beneficentes islâmicas, algumas delas suspeitas de ligação com grupos militantes, ajudavam as vítimas.

Kerry, que visitou áreas inundadas com Zardari, disse que é preciso tomar medidas para evitar que grupos mal intencionados se aproveitem. "Precisamos tratar disso rapidamente, para evitar que a impaciência (dos paquistaneses) ferva, e (apareçam) pessoas explorando essa impaciência, e acho importante para todos nós entendermos esse desafio."

"Também partilhamos de preocupações com a segurança", acrescentou o democrata, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

Cerca de um terço do Paquistão foi inundado, e agências humanitárias pedem mais verbas para ajudar milhões de pessoas que precisam de comida, água potável e abrigo.

Na quinta-feira, os EUA anunciaram a liberação de mais US$ 60 milhões para ajudar o Paquistão a enfrentar as inundações.

"Com uma nova promessa que estou fazendo hoje de US$ 60 milhões, os Estados Unidos estarão contribuindo com mais de US$ 150 milhões para o auxílio emergencial", disse a secretária de Estado Hillary Clinton à Assembleia Geral da ONU.

Ela acrescentou que US$ 92 milhões serão destinados diretamente ao plano de auxílio da ONU, e que os EUA estão fornecendo também assistência técnica e mobilizando recursos militares e civis para fornecer mantimentos e resgatar vítimas das enchentes.

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