EUA e Polônia assinam acordo para escudo antimísseis

Instalação de sistema de defesa americano no Leste Europeu é vista como provocação por Moscou

BBC Brasil,

20 de agosto de 2008 | 07h18

Os Estados Unidos e a Polônia formalizaram nesta quarta-feira, 20, o acordo que prevê a instalação de parte de um escudo de defesa antimísseis americano em território polonês. Em Varsóvia, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice e o ministro do Exterior da Polônia, Radek Sikorski, assinaram o acordo, fechado na última quinta-feira, encerrando 18 meses de negociações.  "Isso nos ajudará a lidar com as novas ameaças do século 21, com a ameaça de mísseis de longo alcance de países como o Irã ou a Coréia do Norte", declarou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice antes de assinar o acordo junto com o ministro das Relações Exteriores da Polônia. A assinatura ocorre em meio ao acirramento da tensão entre o Ocidente e a Rússia por causa da recente guerra na Geórgia. Rice buscou desconsiderar as críticas alegando tratar-se de um sistema meramente defensivo. "É todavia um sistema que volta a estabelecer firmemente - e reafirma - nossa cooperação e nossas relações com a Polônia. O acordo aprofundará nossa cooperação em defesa, assim como nossa capacidade de lidar com ameaças". O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que acordo "alcança o objetivo básico de tornar a Polônia e os Estados Unidos mais seguros". Os EUA planejam instalar dez mísseis interceptadores na Polônia e um sistema de radares na vizinha República Checa entre 2011 e 2013. Esses dois países integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde 1999. O escudo antimísseis concluirá um sistema de defesa que já possui componentes nos EUA, na Groenlândia e no Reino Unido. Segundo a BBC, o documento inclui as exigências feitas pela Polônia com relação à segurança do país como compensação por abrigar o escudo americano. Em troca, os americanos se comprometem a ajudar o país a melhorar suas forças armadas, além de remanejar para a Polônia mísseis tipo Patriot e militares americanos, com o intuito de reforçar as defesas aéreas polonesas. Enquanto os EUA afirmam que o escudo irá proteger os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de possíveis ataques de longo alcance, Varsóvia vê a ameaça mais próxima e por isso exigiu reforço na defesa do país em troca de abrigar o escudo. A Rússia se opõe ao plano e afirma que a base poderia se transformar em alvo para um ataque nuclear e enfraquecer as defesas polonesas. Além disso, o país argumenta que a instalação de um sistema antimísseis americano no Leste Europeu "complica" a segurança global ao afetar o equilíbrio militar na Europa e estimula uma corrida armamentista. Os russos já haviam ameaçado apontar seus mísseis para a Europa caso os EUA instalassem partes de seu sistema de defesa antimísseis perto da fronteira com a Rússia. No entanto, Washington argumenta que o sistema irá proteger não só os Estados Unidos, mas a Europa contra mísseis e afirma que os alvos do sistema de defesa seriam países considerados perigosos, como o Irã. De acordo com a BBC, o momento da assinatura do acordo - durante o conflito com a Geórgia - deixou os russos ainda mais furiosos. A Rússia já alertou que a Polônia está se colocando em risco de ataque com essa negociação.  Moscou também observa que o momento da assinatura do acordo é mais uma prova de que o sistema está direcionado à Rússia, e não ao Irã ou à Coréia do Norte. Tal sugestão é rejeitada por Washington. "Seremos obrigados a responder a isso de maneiras adequada. A União Européia (UE) e os Estados Unidos estão avisados", comentou no mês passado o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev. Na semana passada, o subcomandante dos Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, general Anatoly Nogovitsyn, advertiu que a Polônia está se colocando na condição de alvo. Ameaça A Rússia declarou que a resposta ao projeto do escudo antimísseis americano irá além da diplomacia. Matéria atualizada às 14h37. 

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