EUA e Rússia concordam em tentar retomar plano de paz para Síria

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse nesta terça-feira que ele e o chanceler russo, Sergei Lavrov, concordaram em procurar maneiras de retomar um plano de paz para a Síria, mas admitiu que isso será extremamente difícil.

Reuters

23 de abril de 2013 | 18h19

Kerry, falando após uma reunião com Lavrov e seus colegas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas, também voltou atrás de comentários anteriores sugerindo que ele estava defendendo um maior plano de contingência da aliança para a Síria.

Kerry afirmou que ele e Lavrov discutiram maneiras de retomar um plano de paz acordado em Genebra, em junho passado, que pedia um governo de transição na Síria.

"Nós dois vamos voltar, vamos explorar essas possibilidades, e vamos falar novamente sobre se algum desses outros caminhos poderão concebivelmente ser perseguidos", afirmou Kerry.

Ele disse que, embora possa haver uma diferença de opinião entre a Rússia e os Estados Unidos sobre como e quando o presidente sírio, Bashar al-Assad, poderá deixar o cargo, "não acho que há uma diferença de opinião de que sua saída pode ser inevitável ou necessária para se ter uma solução."

Mas, ressaltou: "Eu diria para você que este é um caminho muito difícil ... Ninguém deve pensar que há uma maneira fácil de seguir em frente com isso."

A Rússia apelou durante meses para a implementação da Declaração de Genebra acordada pelas principais potências mundiais, incluindo os próprios russos e os Estados Unidos, mas não concorda com a afirmação de Washington de que o documento exige a renúncia de Assad.

Na semana passada, Lavrov disse que a pressão para a saída de Assad poderá aumentar as ameaças representadas por grupos militantes islâmicos, como o rebelde Frente al-Nusra, que neste mês prometeu formalmente lealdade ao líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahri.

Lavrov afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira que o acordo de Genebra não poderia "ser interpretado de várias maneiras; não tem ambiguidade."

"A cada dia mais pessoas são mortas. Contudo, vejo uma crescente compreensão da urgência de passar da exigência de eleições para ações reais. É por isso que eu espero que possamos ver ações concretas de todos os lados", disse ele.

(Reportagem de David Brunnstrom, Justyna Pawlak e Adrian Croft)

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