Ivan Sekretarev/ AP
Ivan Sekretarev/ AP

EUA e Rússia prometem união sobre programa nuclear do Irã

Hillary diz que não é hora de aplicar novas sanções; chanceler russo diz que ameaça é 'contraproducente'

estadao.com.br,

13 de outubro de 2009 | 08h00

 Estados Unidos e Rússia se comprometeram nesta terça-feira, 13, a trabalhar juntos para garantir que o programa nuclear desenvolvido pelo Irã tenha fins pacíficos. Depois de se reunir com o chanceler russo, Sergei Lavrov, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou que as aspirações de Teerã ainda representam "sérias preocupações", mas que os EUA não buscam novas sanções por enquanto. Para Lavrov, as ameaças contra o Irã são "contraproducentes".

 

Veja também:

Rússia diz ter feito progresso com EUA em redução de armas

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

O chanceler russo ressaltou que as posições da Casa Branca e do Kremlin são as mesmas sobre o programa nuclear iraniano e que nenhum dos dois países fez qualquer pedido sobre o tema. "Não pedimos nada um ao outro, sobre o Irã ... Porque seria ridículo pedir por algo quando nossas posições coincidem", afirmou. Hillary disse que o "Irã tem o direito de produzir energia nuclear pacífica, mas não tem direito de obter armas nucleares. E nisto EUA e Rússia estão de acordo".

 

"Pensamos que é importante seguir pela via diplomática e fazer com que ela tenha êxito", afirmou Hillary durante entrevista coletiva em Moscou. "Porém, pode não ter sucesso... E como consequência seguiremos considerando a possibilidade de sanções", afirmou a secretária, acrescentando que "ainda não chegou o momento" de novas restrições.

 

Lavrov afirmou que "sanções, ameaças, pressões são, na situação atual, contraproducentes". "Partimos do ponto que, neste momento, deve-se investir todas as forças no apoio do processo de negociação", afirmou o chanceler russo. Hillary disse que Moscou tem se mostrado "extremamente cooperativa" na questão nuclear iraniana.

 

A Secretária de Estado foi ao país para pressionar os líderes russos por "formas específicas de pressão" contra o Irã se o regime fracassar em atender as exigências internacionais para provar que seu programa nuclear é pacífico. Clinton chegou na segunda-feira em Moscou com uma agenda recheada de encontros com autoridades sobre a questão do Irã, o Afeganistão e os esforços norte-americanos para desarmar uma corrida antimíssil na Europa. Também está na pauta a Coreia do Norte, que realizou novos testes de mísseis.

 

Rússia e China há tempos se recusam a impor novas sanções ao Irã caso Teerã falhe em esclarecer seu programa nuclear suspeito, mas Moscou indicou recentemente que a posição russa pode estar mudando depois que Teerã divulgou um local secreto de enriquecimento de urânio perto da cidade sagrada de Qom.

 

O próximo estágio das conversações acontece no dia 19 deste mês, quando funcionários do Irã, Estados Unidos, Rússia, França e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), devem se encontrar em Viena para trabalhar no acordo sob o qual Teerã disse estar pronto para comprar urânio do exterior. Além disso, representantes da AIEA devem inspecionar a nova usina nuclear no dia 25.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãEUARússiaprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.