EUA e tchecos assinam acordo sobre escudo antimíssil

Os EUA e a República Tcheca assinaram naterça-feira um acordo para montar em território tcheco parte doescudo norte-americano de defesa antimíssil. O pacto foi selado apesar da oposição da Rússia, que,durante a Guerra Fria, controlou aquele país do Leste Europeu. Os chanceleres dos EUA e da República Tcheca brindaram comchampanhe depois da assinatura do documento que permiteinstalar um radar de rastreamento a sudoeste de Praga. Isso faz parte de um sistema desenhado para responder àsuposta ameaça representada por mísseis a serem disparadoseventualmente por nações como o Irã. A celebração deles, no entanto, viu-se manchada porcríticas feitas pela Rússia, que considera o sistema antimíssilum elemento capaz de minar sua capacidade de dissuasão nuclear.Além disso, os EUA não conseguiram ainda garantir com a vizinhaPolônia a assinatura de um acordo por meio do qual dez mísseisde interceptação seriam colocados nesse país. O governo norte-americano diz que o escudo serve paraproteger os EUA e seus aliados de ataques com mísseis vindosdos chamados "países inamistosos" e cita informações indicandoque o Irã, por exemplo, pode até 2015 dispor de mísseis delongo alcance capazes de atingir o território norte-americano. "Quando se trata dos iranianos, nós nos deparamos, e essetambém é o caso de nossos aliados e de nossos amigos, com umacrescente ameaça na forma de mísseis que atingem alvos cada vezmais distantes. Um cenário, ainda, no qual o apetite iranianopela tecnologia nuclear continua fora de controle", afirmou asecretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, após assinar oacordo. O documento, porém, recebeu críticas também entre osnorte-americanos. Alguns argumentam que o sistema não provouser eficaz sob condições reais de operação. Há ainda muitos tchecos contrários ao equipamento -- otratado precisa ser sancionado pelo Parlamento desse país antesde entrar em vigor. Segundo o projeto do sistema de 3,5 bilhões de dólares,sensores e radares detectariam um míssil inimigo em vôo elançariam um interceptador baseado em terra a fim dedestruí-lo. Muitos tchecos desconfiam da presença de militaresestrangeiros em seu território desde a invasão soviética de1968 e a subsequente ocupação de duas décadas. Uma pesquisa deopinião divulgada no mês passado mostrou que 68 por cento deleseram contrários ao escudo, ao passo que 24 por centoconcordariam com o novo equipamento. O ministro tcheco das Relações Exteriores, KarelSchwarzenberg, argumentou que essa representava a melhoralternativa para a República Tcheca, membro da União Européia(UE) e do Tratado da Organização do Atlântico Norte (Otan),unir-se ainda mais ao Ocidente. "A República Tcheca pode sentir-se segura caso, de um lado,ingresse na sociedade européia -- tanto do ponto de vista dasegurança quanto do econômico -- e, de outro lado, mantenha suarelação com a Otan," afirmou. Os governos norte-americano e russo haviam acertadoexplorar caminhos para responder à preocupação da Rússia sobrea possibilidade de o escudo ser usado para espionar e atacar opróprio sistema russo de mísseis. Entre as propostas debatidas atualmente incluem-seestacionar oficiais das Forças Armadas da Rússia nasinstalações do escudo e prover imagens de vídeo em tempo realdas atividades realizadas ali. O escudo é uma prioridade do presidente dos EUA, George W.Bush, que espera finalizar com a Polônia um acordo sobre osinterceptadores antes de deixar o cargo, em janeiro. Depoisdisso, o destino do sistema será decidido pelo sucessor dele.

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