EUA e UE estão dispostos a aumentar sanções contra o Irã

Bush e líderes europeus anunciam em declaração conjunta que Teerã deverá encerrar programa nuclear

Agências internacionais,

10 de junho de 2008 | 09h12

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a União Européia (UE) expressaram nesta terça-feira, 10, sua disposição em aumentar as sanções contra o Irã se o país não cumprir seus compromissos internacionais e renunciar às suas atividades nucleares. Durante entrevista coletiva, Bush afirmou que um Irã com armas atômicas seria "incrivelmente perigoso para a paz mundial", embora ainda esteja disposto a seguir trabalhando por uma solução pacífica do conflito.  "Esperamos que o Irã cumpra as obrigações sobre suas atividades nucleares, incluindo a suspensão completa e verificável de seu programa de enriquecimento de urânio", afirma a declaração conjunta da Cúpula União Européia - Estados Unidos.  Alguns países ocidentais, especialmente os EUA, suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo em segredo um programa nuclear bélico. Teerã nega as acusações e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica. Bush afirmou que chegou o momento da "diplomacia forte" e de que o "grupo dos seis" (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) envie "uma mensagem firme" a Teerã para que coopere com a comunidade internacional e coloque fim às suas atividades atômicas. Ele lembrou que o Irã não foi sincero com a AIEA em suas atividades de enriquecimento de urânio, e "não é possível confiar" no regime deste país nesse aspecto. O presidente disse que é o "momento certo" para "intervir e impedir que o Irã obtenha armas nucleares, antes que seja tarde demais". O Conselho de Segurança da ONU já aprovou três rodadas de sanções contra o Irã. Entre elas estão restrições a movimentações de contas do país e proibição de viagens para cidadãos iranianos e companhias que estariam envolvidas com o programa nuclear do país. Segundo a BBC, as sanções também proíbem a venda para o Irã de produtos que podem ser usados para fins civis e militares.  O documento fala, entre outros assuntos, da disposição das duas partes em colaborar com a Rússia em questões "de preocupação mútua", e pede a Moscou "um diálogo transparente e produtivo encaminhado a uma cooperação beneficente para promover os valores e liberdades democráticas".  Bush também falou de Cuba, e afirmou que, se o governo de Raúl Castro "é diferente", deveria mostra isso colocando em liberdade os prisioneiros políticos.  Os líderes reunidos na Eslovênia pedem ainda à Organização das Nações Unidas (ONU) que envie uma missão ao Zimbábue para monitorar a situação dos direitos humanos no país africano e manifestaram preocupações com os recentes distúrbios no Tibete, pedindo que todas as partes envolvidas que não recorram à violência. Bush confirmou nesta terça que esta será a última viagem ao continente europeu durante seu mandato. Ele ainda visitará Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Antes do começo da reunião, Bush se reuniu com o presidente esloveno, Danilo Turk. O presidente americano foi recebido pelo premiê esloveno, Janez Janza, presidente do Conselho da União Européia, junto do presidente da Comissão da UE, José Manuel Barroso, e do chefe da diplomacia do bloco, Javier Solana. Os EUA ainda confirmaram que podem estender "o mais rápido possível" a não necessidade de vistos de ingresso no país para todos os 27 Estados da UE. Atualmente, 12 países do bloco ainda têm a obrigação do visto. Para Hungria e Republica Checa, no entanto, a exigência poderá ser abolida até o final do ano. Bush, em sua última cúpula com a UE antes de deixar o cargo, em janeiro de 2009, reconheceu que "há problemas" na relação entre Washington e Bruxelas, mas insistiu que "há mais coisas que nos unem do que nos separam". "Não vamos deixar que essas diferenças nos separem de forma permanente", disse Bush, que, em seu segundo mandato, voltou a uma política multilateralista, frente ao unilateralismo de seus primeiros quatro anos na Casa Branca.  Adesão da Turquia Durante entrevista coletiva, Bush defendeu que a Turquia deve ser admitida como membro da União Européia. "Acreditamos firmemente que a Turquia deve ser membro da UE e apreciamos as conquistas democráticas e reformas de livre comércio do país e o trabalho que realiza para suas aspirações européias". O governo turco iniciou as conversas para a adesão em 2005, mas os progressos foram lentos, já que alguns membros do bloco se opõem ao ingresso. Oriente Médio A declaração conjunta faz referência também ao Oriente Médio e afirma que tanto Washington quanto Bruxelas adotarão "esforços complementares" para a conquista de um acordo de paz entre israelenses e palestinos antes do fim do ano. Além disso, afirma que está sendo reforçada a cooperação estratégica para ajudar o Afeganistão e pede aos afegãos mais esforços para melhorar sua gestão e o respeito aos direitos humanos, ao mesmo tempo em que pede para "manter a generosidade" internacional ao ajudar esse país. Em relação ao Líbano, Bush e os europeus expressam sua satisfação pela escolha de Michel Suleiman como presidente do país, e declaram seu compromisso com "a soberania e independência" do Líbano, assim como seu apoio ao governo estabelecido.  Matéria atualizada às 14h25..

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