EUA enviarão Rice para mediar conflito na Geórgia, diz Bush

Presidente americano diz que tropas russas devem respeitar integridade territorial georgiana e deixar o país

Agências internacionais,

13 de agosto de 2008 | 12h29

O presidente americano, George W. Bush, pediu apoio ao governo da Geórgia, afirmando que existem informações de que a Rússia violou o acordo de cessar-fogo. Em pronunciamento realizado na Casa Branca nesta quarta-feira, 13, Bush anunciou o envio da secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, a Paris e depois a Tbilisi para tentar solucionar a crise.   Geórgia diz que russos violaram trégua; Moscou nega ocupação de Gori UE apóia envio de monitores para checar trégua Geórgia diz que russos avançam para Tbilisi EUA controlarão portos e aeroportos da Geórgia, diz presidente Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Bush afirmou que a Rússia deve manter a sua palavra e agir para encerrar a crise com a Geórgia e que Washington enviará aviões e navios americanos ao país com suprimentos humanitários. Ele ressaltou que a soberania territorial da Geórgia deve ser respeitada e pediu para que as vias de comunicação permaneçam abertas, para o transporte da ajuda.   Após o pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que os Estados Unidos devem se decidir entre uma parceria com Moscou ou a liderança georgiana, à qual descreveu como "projeto virtual". Ele também disse que a Rússia não vai permitir saques na Geórgia depois do conflito na região separatista georgiana da Ossétia do Sul. "Nós entendemos que a atual liderança georgiana é um projeto especial dos Estados Unidos, mas um dia os Estados Unidos terão de se decidir entre defender seu prestígio sobre um projeto virtual ou uma parceria real que requer ação conjunta", disse Sergei Lavrov a repórteres.   O presidente americano afirmou ainda que a visita de Rice pretende demonstrar o apoio de Washington ao governo de Tbilisi. "Os Estados Unidos estão com o governo da Geórgia eleito democraticamente".  Bush disse também que o secretário da Defesa, Robert Gates, liderará os esforços americanos para fornecer ajuda humanitária e medicamentos para a Geórgia. Aviões dos EUA estão a caminho para entregar a ajuda e navios da Marinha vão partir em breve transportando suprimentos, disse.   Mais cedo, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, afirmou à CNN que os EUA foram "brandos demais" com a Rússia quando Moscou começou a ofensiva militar na província separatista da Ossétia do Sul. "Francamente, algumas das primeiras declarações de Washington foram vistas pelos russos quase como um sinal verde para seguir com o conflito, porque eram brandas demais. Os russos não entendem esse tipo de linguagem suave".   Após o anúncio de Bush, Saakashvili, disse que a promessa dos EUA de mandar ajuda à Geórgia significa que o Exército americano irá assumir o controle dos portos e aeroportos do ex-Estado soviético. VVocês ouviram o discurso do presidente dos Estados Unidos, dizendo que está começando uma operação militar-humanitária na Geórgia", disse Saakashvili em um discurso televisionado. "Isto significa que os portos e aeroportos georgianos serão controlados pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos, para conduzir missões humanitárias e de outros tipos. Este comunicado é muito importante para aliviar a tensão".   O Pentágono rechaçou o anúncio de Saakashvili, afirmando não planeja assumir o controle como parte de uma missão de ajuda. "Nós não queremos, nem estamos precisando, assumir o controle de qualquer aeroporto ou porto para conduzir esta missão", disse o secretário de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell.   A União Européia (UE) afirmou nesta quarta que está preparada para se comprometer "no terreno" a fim de conseguir uma solução "pacífica e estável para os conflitos na Geórgia", segundo uma minuta de conclusões da reunião de ministros de Exteriores do bloco realizada em Bruxelas. O ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país preside neste semestre a UE, disse ao final da reunião que os Estados-membros estão dispostos a enviar observadores à zona para garantir o respeito ao cessar-fogo."Muitos Estados-membros propuseram esse tipo de intervenção no terreno", disse Kouchner, que afirmou que não se trata de enviar forças militares nem de pacificação, mas de desempenhar tarefas de "vigilância, controle e mediação". Os ministros deram seu apoio ao acordo de paz que a Presidência francesa da UE pactuou ontem com as autoridades russas e georgianas, e felicitaram a Paris pelo sucesso das gestões.   Trégua violada   Tanques russos voltaram a entrar na cidade georgiana de Gori, horas após Rússia e Geórgia estabelecerem uma trégua para suspender as operações militares. Veículos armados russos parecem ter desmantelado e destruído bases do Exército georgiano na cidade. Momentos depois da entrada em Gori, uma coluna de veículos blindados, incluindo transportadores de armas antiartilharia, foi vista deixando a cidade e tomando a rodovia principal que leva a Tbilisi.   Entretanto, a Rússia negou que os veículos estejam se dirigindo à capital da Geórgia. Um porta-voz das forças russas alegou que os militares estavam removendo equipamentos e munição de uma base militar georgiana fora da cidade. A movimentação expõe a fragilidade do cessar-fogo em vigor, segundo a BBC. Moradores fugindo de Gori disseram que saques e seqüestros estão acontecendo na cidade. Muitos contam ter visto suas casas sendo incendiadas. Uma nuvem de fumaça cobre o mercado principal. A situação poderia ser ainda mais crítica nas cidades ao redor.   O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta quarta-feira que suas forças derrubaram dois aviões teleguiados da Geórgia na capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. Um avião foi abatido na noite de terça-feira e outro na quarta-feira, disse um porta-voz do Ministério. "Apesar das garantias feitas pela Geórgia de que eles encerraram todas as atividades militares, as tropas russas derrubaram um segundo avião espião georgiano em Tskhinvali na manhã de hoje", disse o porta-voz.   Relatos implicariam rebeldes separatistas e tropas russas nos saques - em um comunicado, a Rússia negou qualquer envolvimento, afirmando que essas versões "não têm absolutamente nenhum fundamento".   Matéria atualizada às 14h50.

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