EUA esbarram em dúvidas para determinar quem lançou míssil russo em avião

Analistas basearam parte de suas conclusões até o momento em dados técnicos de satélites avançados de espionagem

PHIL STEWART E MARK HOSENBALL, REUTERS

18 de julho de 2014 | 21h38

Imagens de satélite mostram uma coluna de fumaça deixada por um míssil terra-ar que derrubou o voo MH17 da Malaysia Airlines, e sensores infravermelhos gravaram o momento em que o avião explodiu.

Analistas norte-americanos vasculham fragmentos de dados de inteligência para tentar descobrir quem lançou o míssil, por que, e de onde veio o armamento, mas estão esbarrando em questões complicadas.

A avaliação dos EUA, divulgada pela embaixadora Samantha Power no Conselho de Segurança da ONU nesta sexta-feira, é de que o avião foi "provavelmente derrubado por um míssil terra-ar, um SA-11, operado de uma localidade dominada por separatistas no leste da Ucrânia".

Autoridades norte-americanas disseram que estão tentando determinar quem disparou o míssil produzido pela Rússia, se russos ajudaram no ataque e como a arma chegou ao território controlado por rebeldes separatistas apoiados por Moscou.

Essas questões são decisivas para se chegar a qualquer resposta internacional para a queda do avião, que matou todas as 298 pessoas a bordo e aumentou drasticamente a tensão do conflito na Ucrânia.

Os analistas norte-americanos basearam parte de suas conclusões até o momento em dados técnicos de satélites avançados de espionagem, cujo uso principal é fornecer alertas rápidos sobre disparos de mísseis balísticos intercontinentais.

Entre os dados do satélite está uma imagem de uma coluna de fumaça deixada no rastro do míssil, o que permitiu aos analistas calcularem a área do lançamento como sendo perto da fronteira Rússia-Ucrânia, que é dominada por combatentes separatistas pró-Rússia, segundo autoridades.

Também existe dados de sensores infravermelhos que detectaram a explosão do avião, acrescentaram.

Autoridades norte-americanas acreditam no envolvimento russo no disparo do SA-11 devido à dificuldade operacional do equipamento, mas não acusaram diretamente combatentes russos de envolvimento.

Ainda não foi determinado "quem apertou o botão", disse uma autoridade.

Os EUA, porém, não acreditam que o míssil tenha sido lançado por ucranianos pró-governo e trabalham com a avaliação de que deve ter sido lançado ou por um separatistas ucraniano pró-Rússia ou por um cidadão russo.

Os Estados Unidos também não têm certeza de como o míssil chegou ao local de onde foi lançado. Não há informações de inteligência norte-americanas mostrando um SA-11 cruzando a fronteira da Rússia para a Ucrânia, segundo o Pentágono.

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