EUA espionaram passaportes de Obama, Hillary e McCain

Secretária de Estado Condoleezza Rice telelefonou a Obama para se desculpar pela violação de dados

Arshad Mohammed, da Reuters,

21 de março de 2008 | 14h34

O departamento de Estado dos Estados Unidos pediu desculpas nesta sexta-feira, 21, pela espionagem de registros de passaporte dos candidatos à Presidência do país, os senadores Barack Obama, Hillary Clinton e John McCain.   Veja também: Hillary ultrapassa Obama em pesquisa Gallup McCain venceria Obama e Hillary, aponta pesquisa Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA A revelação aconteceu horas depois que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, informou que telefonou a Obama para pedir desculpas pelo fato de três funcionários terceirizados de sua pasta terem acessado registros do passaporte dele de maneira indevida. Dois deles foram demitidos por causa do incidente. "Eu disse a ele que sinto muito e que eu mesma me sentiria muito perturbada se eu descobrisse que alguém olhou meus registros de passaporte", disse Rice a jornalistas no início de uma reunião com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim. O porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack, disse a jornalistas que Rice "expressou o mesmo sentimento" a Hillary e que ainda vai falar com McCain.   Os incidentes ocorreram em 9 de janeiro, 21 de fevereiro e 14 de março. Foram rapidamente informados a funcionários de baixo escalão, mas só chegaram ao conhecimento da cúpula por iniciativa de um repórter que contou o caso na quinta-feira por email ao porta-voz McCormack.   Obama soube dos incidentes na quinta, e seus assessores vão receber informações mais detalhadas do subsecretário de Estado, Pat Kennedy, nesta sexta-feira. Um porta-voz de Hillary Clinton, adversária de Obama na disputa pela indicação democrata às eleições presidenciais de novembro, disse que "se for verdade, (a violação dos dados) é repreensível, e o governo Bush tem a responsabilidade de ir até o fundo disso". Os democratas Obama e Hillary estão travando uma disputa pela indicação de seu partido à batalha pela Presidência contra o republicano McCain. As eleições estão marcadas para 4 de novembro. O departamento está investigando as ações dos funcionários, que parecem ter agido de maneira independente e sem motivações políticas, porém o departamento de Justiça informou sobre o inquérito como precaução em caso de alguma lei ter sido violada. O incidente é um embaraço para o governo de George W. Bush e retoma memória de polêmica de 1992, surgida quando funcionários do departamento de Estado pesquisaram registros de passaporte e cidadania do ex-presidente Bill Clinton quando ele era o candidato democrata à Presidência do país.

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