EUA estão despreparados para reagirem a ataque, diz estudo

O Pentágono não está preparado parareagir a um catastrófico ataque químico, biológico ou nuclearem território norte-americano, segundo relatório de umacomissão independente entregue na quinta-feira ao Congresso. Se por um lado o Departamento de Defesa realizaplanejamentos exaustivos para operações no exterior, por outrosos seus preparativos para a reação a um possível ataque dentrodos EUA são inadequados, disse a Comissão sobre a Guarda eReservas Nacionais. "Examinamos seus planos. São totalmente inaceitáveis",disse o presidente da comissão, Arnold Punaro, generalreformado dos marines. "Não seria possível deslocar nem mesmo uma unidade deescoteiras com o tipo de planejamento que eles estão fazendo",disse Punaro, ironizando os planos preparados pelo ComandoNorte, que é responsável pela defesa doméstica dos EUA. Embora outros órgãos federais, como o Departamento deSegurança Doméstica, sejam responsáveis por parte da reação dogoverno e um eventual ataque, o Departamento de Defesa é oúnico órgão com recursos e capacidade para administrar umareação coletiva, segundo a comissão. A comissão disse que a Guarda e a Reserva Nacional deveriamreceber ordens para liderar as atividades domésticas doPentágono, já que esses soldados de "meio-período" vivemespalhados pelos EUA e costumam ter as habilidades necessáriaspara enfrentar uma emergência. Mas os militares não dedicaram tempo e recursos suficientesa preparar essa tarefa, apesar da criação do Comando Nortedepois dos atentados de 11 de setembro de 2001, segundo acomissão, que foi criada pelo Congresso para estudar o melhoruso das forças de reserva. Na opinião da comissão, esse despreparo se deve em parte ahistóricas tensões entre o governo federal e os Estados. Fontesde defesa dizem também que os militares costumam ver suaparticipação em emergências internas como um mero apoio aagências civis. Os oficiais do Comando Norte não comentaram o relatório,alegando que antes do Pentágono deveria examinar suas quase cemrecomendações. A Reserva e a Guarda Nacional têm um duplo mandato: paralutar no exterior e para atuar na defesa interna. Osgovernadores comandam a Guarda em tempos de paz e podemconvocá-la em emergências locais, como inundações. Mas opresidente também pode ativar a guarda para missões federais,como a guerra do Iraque. Durante a Guerra Fria, essa era uma "reserva estratégica",pronta para se juntar às tropas da ativa em caso de conflitoarmado com a União Soviética. Desde a década de 1990, porém, aGuarda e a Reserva começaram a ser usadas com mais regularidadeem missões de combate. A disponibilidade dessas forças permitiu, por exemplo, queWashington travasse duas guerras simultâneas, no Afeganistão eIraque, sem recorrer ao alistamento obrigatório, segundo acomissão. Mas o uso repetido dessas forças sobrecarregou as tropas dereservas, seus equipamentos e suas famílias, o que levou acomissão a propor ao Pentágono e ao Congresso uma reformulaçãodas tarefas, da administração e do treinamento dos reservistase membros da Guarda. Algumas recomendações da comissão são polêmicas e devemenfrentar resistência do Pentágono. É o caso da sugestão paraque os governadores sempre mantenham a autoridade sobre asforças dentro de seus Estados, para tornar mais clara a cadeiade comando em caso de emergência. Os militares já haviamanteriormente rejeitado propostas desse tipo.

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