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EUA estão preocupados com terrorismo na América Latina, diz Rice

A secretária de Estado dos EstadosUnidos, Condoleezza Rice, disse na quinta-feira que o governonorte-americano está preocupado com o terrorismo na AméricaLatina, mas não quis fazer comentários sobre a possibilidade dea Venezuela ser incluída em uma lista de países acusados depatrocinar o terrorismo. Os EUA não possuem "inimigos permanentes" na região,afirmou Rice em uma entrevista coletiva concedida em Brasília. No dia 1o de março, um ataque realizado por forçascolombianas dentro do Equador e no qual morreu Raúl Reyes, umdos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc), levantou questões sobre eventuais vínculos da Venezuelacom o grupo colombiano --considerado pelos EUA um grupoterrorista. "Temos realmente de nos preocupar com o terrorismo. Temosde nos preocupar com a segurança e o bem-estar dos países destaregião, com o fato de que esses países não deveriam estarsujeitos a atividades terroristas ou a ataques terroristassurgidos dentro ou fora de suas fronteiras", afirmou Rice. Ela referiu-se ainda à obrigação dos países do mundo todo,segundo estipulam acordos selados na Organização das NaçõesUnidas (ONU), de impedir que seu território seja usado porgrupos armados. "Esperamos que os Estados responsáveis cumpram essasobrigações", declarou. A Colômbia acabou com a crise provocada por sua investidamilitar ao pedir desculpas e prometer nunca mais realizar umaação semelhante se os vizinhos dela cooperarem na luta contraas Farc. No ataque de 1o de março, o governo colombiano apreendeuvários computadores e disse ter encontrado neles dadoscomprovando que o Equador e a Venezuela, países atualmentedirigidos por líderes esquerdistas, auxiliavam a guerrilha. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, diz que as acusaçõesda Colômbia são parte de um plano arquitetado pelos EUA paramanchar a imagem dele. Rice recusou-se a responder diretamente a uma perguntasobre se o governo norte-americano poderia acrescentar aVenezuela a uma lista de países acusados de patrocinar oterrorismo. "Os EUA não possuem inimigos -- inimigos permanentes. O quetemos é o esforço de trabalhar bem com qualquer Estado queesteja agindo de forma responsável quanto à democracia, àsegurança e ao desenvolvimento econômico", afirmou. "Essa é a nossa agenda positiva para a América Latina evamos continuar a implantá-la sem qualquer limitaçãoideológica." LIGAÇÕES COM AS FARC Na quarta-feira, uma importante autoridade norte-americanaafirmou que as novas informações sobre as eventuais ligações daVenezuela com as Farc eram preocupantes, mas que os EUA nãoestavam perto de incluir o governo venezuelano em uma lista depatrocinadores do terrorismo. Uma atitude do tipo poderia fazer com que sanções fossemimpostas à Venezuela. Não se sabe ao certo ainda se a medidaprejudicaria a remessa de petróleo venezuelano para os EUA. Ogoverno de Chávez, de toda forma, retaliaria provavelmentecortando o suprimento do combustível. O secretário-assistente de Estado norte-americano, TomShannon, afirmou na quarta-feira que os EUA analisavamcuidadosamente as informações presentes nesses computadores bemcomo nos computadores pertencentes a Iván Ríos, outro líder dasFarc morto recentemente. Ríos morreu nas mãos de seu próprioguarda-costas. A inclusão nessa lista poderia gerar como possíveisconsequências a proibição de venda de material bélico dos EUA,a proibição de receber ajuda econômica e sanções financeirascomo o veto norte-americano a empréstimos concedidos pelo BancoMundial e pelo Fundo Monetário Internacional. Rice está no início de uma viagem de dois dias pelo Brasile pelo Chile que incluirá um pernoite em Salvador, cidade pelaqual deve realizar um city tour. Em Brasília, Rice, que é afro-americana, e o ministrobrasileiro da Integração Racial, Edson Santos, assinaram umplano para que os dois países cooperem na luta contra adiscriminação racial e étnica. Pelo acordo, o Brasil e os EUA compartilharão idéias sobreos melhores veículos para combater a discriminação em áreascomo as da educação, da habitação, do trabalho e outras. Oplano também estudará a possibilidade de ampliar o intercâmbioentre as escolas e universidades norte-americanas ebrasileiras, incluindo as faculdades historicamente negras dosEUA. Na sexta-feira, a secretária de Estado viaja até Santiago afim de reunir-se com autoridades chilenas e promover ointercâmbio educacional e comercial entre o Chile e aCalifórnia, um Estado norte-americano que divide com esse paísda América do Sul preocupações semelhantes sobre a agricultura,o comércio, a proteção das áreas costeiras e as questõesambientais. (Reportagem de Arshad Mohammed e Ray Colitt)

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