EUA estão prontos para um presidente vindo de um reality show?

Donald Trump pode liderar o campo republicano em algumas pesquisas de opinião sobre a disputa nascente pela Casa Branca em 2012, mas especialistas não esperam que os norte-americanos elejam seu primeiro presidente saído de um reality show.

MARK EGAN, REUTERS

21 de abril de 2011 | 12h38

É verdade que os eleitores norte-americanos elevaram um astro de filmes B (Ronald Reagan) à Presidência da República e elegeram um ex-lutador profissional (Jessie Ventura) e um musculoso astro de filmes de ação (Arnold Schwarzenegger) para os governos de Minnesota e Califórnia, respectivamente.

Mas especialistas dizem que, embora o bombástico magnata do setor imobiliário e apresentador do reality show "Celebrity Apprentice" possa desfrutar de alguma popularidade inicial, quando a corrida presidencial engatar a sério, os eleitores vão despachar o bilionário Trump, usando sua própria frase de efeito: "Você está demitido".

"Ele (Trump) assume aquela persona política de alguém que não se envergonha em se autopromover e que não fala com meias palavras", disse Thomas Schwartz, professor de história na Universidade Vanderbilt, em Nashville.

Schwartz disse que Trump é semelhante a Ross Perot, o empresário de maneiras simples que financiou uma candidatura independente contra o presidente George H.W. Bush e seu rival democrata Bill Clinton em 1992 e foi candidato novamente em 1996.

"Me pergunto realmente se Donald Trump está preparado para o tipo de escrutínio de seus assuntos pessoais e comerciais... Ou se estará apenas buscando publicidade para seu programa de TV", disse Schwartz. "Ele preenche um vazio enquanto não surge um candidato republicano sério na disputa."

Para Richard Wald, professor de mídia e sociedade na Universidade Columbia, Trump é uma aberração. "Este é um momento midiático. Existe pouquíssima probabilidade de Trump tornar-se presidente, porque ele não é uma pessoa séria", disse Wald.

Apesar disso, pesquisas iniciais mostram que Trump está sendo beneficiado por suas reflexões altamente divulgadas sobre a campanha e sua investida na política conhecida como "birther" ("nascimentista"), a ideia já desmentida à qual alguns conservadores ainda se apegam de que o democrata Barack Obama teria nascido no Quênia, e não no Havaí, de modo que não poderia legalmente ocupar a presidência dos Estados Unidos.

Esse fato vem levando o establishment republicano a atacar o magnata, devido ao receio de que seu flerte com uma candidatura em 2012 possa prejudicar as chances do partido de montar um desafio sério a Obama na eleição.

Karl Rove, arquiteto das duas vitórias eleitorais do republicano George W. Bush, descreveu Trump como "candidato de piada", e o colunista George Will o chamou de "fanfarrão" que fala bobagens indiscriminadamente.

Uma pesquisa feita na semana passada pela Public Policy Polling constatou que Trump lidera o campo republicano com 26 por cento das preferências, seguido pelo ex-governador do Arkansas Mike Huckabee com 17 por cento, o ex-governador do Massachusetts Mitt Romney com 15 por cento, o ex-líder da Câmara dos Deputados Newt Gingrich, com 11 por cento, e a ex-governadora do Alasca Sarah Palin com 8 por cento.

Muitos especialistas dizem que Trump se beneficia do reconhecimento precoce de seu nome, fator que vai se dissipar a partir do momento em que os outros candidatos se tornarem mais conhecidos. Para outros, contudo, sua popularidade é indicativa de problemas mais profundos no campo republicano.

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