EUA estudam sanções contra Rússia; pacto nuclear sofre ameaça

Punições podem ser aplicadas por Washington para que Moscou cumpra cessar-fogo no conflito do Cáucaso

Reuters,

28 de agosto de 2008 | 16h58

O governo americano pode abrir mão de um pacto de cooperação com a Rússia no setor de energia nuclear como forma de punir Moscou por sua ação militar na Geórgia, afirmou a Casa Branca nesta quinta-feira, 28, elevando as pressões sobre os russos para que cumpram os termos de um cessar-fogo.  No entanto, grandes empresas norte-americanas de exportação conclamaram o governo do presidente George W. Bush a agir com cuidado e de forma coordenada, apontando para o limitado número de opções de que o Ocidente dispõe para punir a Rússia em vista dos amplos laços empresariais, econômicos e energéticos mantidos com aquele país.   Veja também: Conflito com Geórgia mostra 'fraqueza' russa, dizem EUA EUA orquestraram ofensiva da Geórgia na Ossétia, diz Putin Entenda o conflito separatista na Geórgia  "Estamos em meio ao processo de reavaliação de nossos laços com a Rússia", afirmou a repórteres Dana Perino, porta-voz da Casa Branca. "E estamos fazendo isso de forma coordenada com nossos parceiros internacionais." Em Paris, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que os líderes da União Européia (UE) estudam a possibilidade de adotar sanções contra a Rússia. Na segunda-feira, a entidade realiza uma cúpula para discutir a situação da Geórgia, país pelo qual passam dois grandes oleodutos e que possui portos no mar Negro. Uma opção avaliada pelos EUA é a de descartar o acordo nuclear assinado em maio e que abriria o crescente mercado norte-americano de energia nuclear e as imensas reservas russas de urânio para empresas dos dois países. O pacto anularia as restrições adotadas durante a Guerra Fria. "Não acredito que haja qualquer coisa para ser anunciada neste momento. Mas sei que isso está sendo debatido", afirmou Perino. A porta-voz afirmou ainda ser cedo demais para falar que tipo de sanções estavam sendo consideradas. Os EUA não "vão adotar qualquer decisão precipitada. Primeiro, avaliaremos de forma exaustiva todos os ângulos envolvidos", disse Perino. Empresas de exportação, beneficiadas pelo comércio bilateral entre os EUA e a Rússia (que somou US$ 26,7 bilhões 2007), pediram cautela. "Nós pedimos a eles que pensem com muito cuidado antes de agir e que ajam com cautela. Pedimos ainda que eles façam tudo de forma multilateral e não unilateral", afirmou Bill Reinsch, presidente do Conselho Nacional de Comércio Exterior. O conselho representa empresas exportadoras como a Boeing Co, a Caterpillar Inc, a Microsoft Corp, a Bechtel Corp, a General Electric Co, entre outras. Segundo Reinsch, o governo Bush já havia decidido que o Congresso norte-americano não votará a respeito do pacto nuclear neste ano.

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